Operação mira esquema de lavagem de dinheiro do CV em Minas e outros estados
Investigação aponta movimentação de mais de R$ 453 milhões em esquema ligado ao Comando Vermelho

Uma operação deflagrada nesta sexta-feira (29) pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, com apoio do Denarc da Polícia Civil de Minas Gerais, mira uma organização criminosa suspeita de lavar dinheiro do tráfico de drogas da facção Comando Vermelho por meio de empresas de reciclagem e comércio de metais.
Batizada de Operação Contenção, a ação ocorre simultaneamente em Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul. Em Minas, os alvos estão em Belo Horizonte, Contagem e Pequi.
Chefes do esquema
As investigações identificaram Antônio Ilário Ferreira, conhecido como “Rabicó”, como chefe da organização criminosa. Segundo a polícia, ele seria responsável pela coordenação das atividades ilícitas e pelo gerenciamento dos recursos obtidos com o tráfico de drogas no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, no Rio de Janeiro.
Já Alex Sandro Ferreira de Araújo, conhecido como “Tek”, foi apontado como o principal operador financeiro do grupo. Conforme a investigação, ele administrava empresas de fachada, movimentações bancárias e utilizava terceiros para ocultar a origem do dinheiro ilícito.
A polícia afirma que interceptou conversas entre Rabicó e Alex Sandro nas quais o líder do grupo determinava pagamentos de despesas pessoais, além de transferências relacionadas à compra de drogas e armas para fortalecimento da facção criminosa.
Prisões e mandados em BH
Segundo a polícia, um homem de 73 anos teve a prisão domiciliar decretada em Belo Horizonte. Já o filho dele, de 45 anos, alvo de mandado de prisão preventiva, está fora do país e é considerado foragido.
Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados. A operação é resultado de uma investigação conduzida há cerca de um ano e quatro meses pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Polícia Civil do Rio de Janeiro.
Empresas eram usadas para ocultar dinheiro do tráfico
As investigações apontam que empresas de reciclagem, sucata e comércio de metais eram utilizadas para movimentar e “legalizar” recursos provenientes do tráfico de drogas no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, área dominada pelo Comando Vermelho.
De acordo com a polícia, o esquema utilizava empresas de fachada, notas fiscais falsas, depósitos fracionados e contas bancárias de terceiros para ocultar a origem ilícita do dinheiro.
Segundo o delegado Rodrigo Bustamante os investigados em Minas seriam empresários que receberam valores de empresas ligadas ao esquema criminoso.
“Essas empresas de alguma forma receberam valores oriundos dessas empresas de fachada do Rio de Janeiro que movimentavam o dinheiro do tráfico na cidade de São Gonçalo”, afirmou.
Movimentação milionária
As investigações identificaram movimentações superiores a R$ 453 milhões, segundo análises financeiras feitas com apoio do Coaf, além de cruzamentos bancários, fiscais e telefônicos.
Entre as empresas investigadas estão companhias dos setores de reciclagem, comércio de sucata e metais, que teriam movimentado milhões de reais em transferências consideradas suspeitas pela polícia.
Os investigadores também apuram a possível utilização de cobre e materiais metálicos provenientes de furtos e outros crimes patrimoniais. Durante a apuração, drones foram usados para monitorar áreas de queima clandestina de cabos de cobre.
Facções tentam ocupar espaço em Minas
Durante entrevista, o delegado Rodrigo Bustamante afirmou que facções criminosas de outros estados têm tentado ampliar a atuação em Minas Gerais, seja controlando rotas do tráfico, depósitos de drogas ou pontos de venda.
“Todo o dinheiro ilícito arrecadado com o tráfico precisa retornar para a economia de forma aparentemente lícita. Essas empresas acabam tendo a função de dissimular essa entrada do dinheiro”, explicou.
As investigações continuam para identificar outros integrantes do grupo, operadores financeiros e empresas supostamente utilizadas para ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro.
Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego/ Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.
Amanda Antunes cursou jornalismo no Unileste (Centro Universitário Católica do Leste de Minas Gerais), com graduação concluída na Faculdade Estácio, em Belo Horizonte. Em 2009, começou a estagiar na Rádio Itatiaia do Vale do Aço, fazendo a cobertura de cidades. Em 2012, chegou à Itatiaia Belo Horizonte. Na rádio de Minas, faz parte do time de cobertura policial - sua grande paixão - e integra a equipe do programa ‘Observatório Feminino’.




