Operação mira ‘núcleo político’ ligado ao CV e prende 14 em MG e outros estados

Ação da Polícia Civil do Amazonas cumpriu 23 mandados de prisão e 24 de busca; grupo é suspeito de tráfico, lavagem de dinheiro e corrupção com ramificações interestaduais

Operação mira ‘núcleo político’ ligado ao CV e prende 14 em MG e outros estados

A Polícia Civil do Amazonas deflagrou, na manhã desta sexta-feira (20), a Operação Erga Omnes, que resultou na prisão de pelo menos 14 pessoas que faziam parte de um esquema ligado ao Comando Vermelho (CV) que, segundo as investigações, mantinha um “núcleo político” com acesso aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, com estrutura voltada ao tráfico de drogas.

A ação foi coordenada pelo 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP) e contou com o apoio de forças de segurança dos estados do Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Pará, São Paulo e Piauí, devido ao alcance interestadual das movimentações financeiras e das conexões operacionais identificadas ao longo das investigações.

Ao todo, foram expedidos 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão. As ordens são cumpridas em Manaus e nas cidades de Belém (PA), Ananindeua (PA), Belo Horizonte (MG), Fortaleza (CE), Teresina (PI) e Estreito (MA).

Entre os presos está Anabela Cardoso Freitas, integrante da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus e ex-chefe de gabinete do prefeito da capital, David Almeida (Avante). Nesse caso, ele não é alvo nem investigado.

Segundo a polícia, a quadrilha ligada ao Comando Vermelho teria movimentado cerca de R$ 1,5 milhão por meio de empresas de fachada. Também foram alvos um servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas e ex-assessores de três vereadores.

As apurações tiveram início após uma grande apreensão realizada em uma operação anterior, quando foram encontrados mais de 500 tabletes de maconha do tipo skunk, sete fuzis de uso restrito, duas embarcações utilizadas no transporte da droga, um veículo utilitário empregado na logística terrestre e aparelhos celulares. Um suspeito foi preso em flagrante na ocasião.

A partir da apreensão, foi instaurado inquérito policial para identificar a cadeia de comando, os operadores logísticos, os financiadores e demais colaboradores do esquema. Segundo a PC, as investigações apontaram que o grupo atuava de forma estruturada, com divisão de tarefas e organização em núcleos operacional, financeiro e logístico.

De acordo com a polícia, a organização utilizava rotas fluviais e terrestres para o transporte de drogas e recorria a veículos alugados em nome de terceiros para dificultar o rastreamento. Também foram identificadas empresas formalmente registradas nos ramos de transporte e locação que, segundo as investigações, funcionavam apenas documentalmente e eram usadas para movimentação e ocultação de recursos de origem ilícita.

Relatórios de inteligência financeira indicaram movimentações bancárias consideradas atípicas e de alto valor, com transferências entre investigados, empresas ligadas ao grupo e pessoas em diversos estados. As análises apontam incompatibilidade entre os valores movimentados e a capacidade econômica declarada pelos envolvidos.

Com autorização judicial, houve extração de dados de aparelhos celulares, o que auxiliou no mapeamento das conexões entre os investigados, da estrutura financeira e da logística do grupo. A investigação também apura indícios de tentativas de obtenção indevida de informações sigilosas relacionadas a procedimentos criminais, com o objetivo de antecipar ações policiais e judiciais.

Com base nos elementos reunidos, a Polícia Civil representou à Justiça pelo cumprimento dos mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão, além da quebra de sigilo bancário e fiscal, bloqueio e sequestro de bens e outras medidas cautelares.

Segundo a corporação, o objetivo da operação é interromper a atuação da organização criminosa, preservar provas, rastrear ativos ilícitos e responsabilizar todos os envolvidos.

A reportagem entrou em contato com a Polícia Civil de Minas Gerais e aguarda posicionamento.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o ‘Tá Sabendo’ no Instagram da Itatiaia.

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