A operação de buscas pelos irmãos Agatha Isabelly e Allan Michel completa 17 dias nesta terça-feira (20). Sem novas pistas, equipes da Marinha continuam procurando pelas crianças no rio Mearim. Cães farejadores especializados confirmaram a
passagem das crianças por um ponto conhecido como “casa caída”, um casebre de palha abandonado próximo às margens do curso d'água.
Também nesta terça-feira (20), Anderson Kauã, primo das crianças que foi encontrado após 72h desaparecido,
recebeu alta hospitalar. O menino passou 13 dias internado sob acompanhamento médico e psicológico. Agora, será reinserido ao convívio na comunidade onde vive.
Buscas terrestres
Até o momento, as operações de busca terrestres já percorreram uma área de mata superior a 3.200 Km². O perímetro foi dividido em quadrantes abrangendo todo o território do Quilombo São Sebastião dos Pretos e povoados do entorno.
Ao todo, são
mais de mil pessoas atuando na força-tarefa, composta por equipes do Corpo de Bombeiros do Maranhão, do Ceará e do Pará, Polícia Civil do Maranhão, Polícia Militar do Maranhão, Exército Brasileiro e diversos voluntários da comunidade. A operação é auxiliada também pelo trabalho de cães farejadores, que indicaram vestígios das crianças em uma casa abandonada. A pista deu início as buscas aquáticas.
Buscas aquáticas
As buscas receberam
reforço de equipes marítimas da Marinha Brasileira nesse domingo (18). A operação realiza varreduras aquáticas e subaquáticas no Rio Mearim com auxílio de aparelhos de tecnologia avançada. O equipamento side scan sonar permite um mapeamento detalhado do fundo do rio e de suas águas turvas.
Buscas aéreas
A operação de buscas pelas crianças também conta com o reforço aéreo de helicópteros do Centro Tático Aéreo (CTA) do estado do Maranhão. As aeronaves mapeiam o perímetro de buscas do alto à procura de vestígios dos irmãos desaparecidos.
Quem são as crianças desaparecidas?
Os irmãos Ágatha Isabelle, de seis anos, e Allan Michel, quatro, estão desaparecidos há 16 dias. As crianças foram vistas pela última vez no domingo (4) enquanto brincavam na casa da avó, em uma área de mata no território quilombola São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, no interior do Maranhão.
Junto das crianças estava
Anderson Kauã Barbosa Reis, de oito anos, que é primo dos irmãos. O garoto também havia desaparecido no domingo, 4 de janeiro, mas foi encontrado com vida após 72 horas desaparecido. Anderson foi localizado em uma área de mata no povoado Santa Rosa. O resgate foi feito por três produtores rurais, que trafegavam pela região em uma carroça a caminho do trabalho e avistaram a criança nua em meio à vegetação.
Após ser encontrado,
Anderson revelou as autoridades a dinâmica do desaparecimento. O menino contou que ele e os primos não haviam sido sequestrados e que ele e as outras duas crianças teriam entrado no mato sozinhos e acabaram se perdendo. O garoto foi encaminhado ao Hospital Geral de Bacabal e, após passar por uma série de exames, o governo do Maranhão descartou a possibilidade de
abuso sexual contra a criança.
Família se pronuncia
A
mãe das crianças desaparecidas se manifestou sobre o caso. Clarice Cardoso, genitora de Àgatha Isabelle e Allan Michael, desbafou sobre a angústia vivida desde o sumiço de seus filhos.
“Espero que eles encontrem meus filhos. Se pegaram, saber quem pegou e o porquê. Isso que passa na minha cabeça, saber o porquê eles pegaram.”, desabafou a mãe em entrevista à TV Globo, na última terça-feira (13).
Clarice alegou não saber se as crianças estão realmente na área na mata e contou que tem passado os dias sem comer e tomando remédios para ficar menos nervosa. “Uma dor que não desejo para ninguém. Única coisa que peço é quem esteja com meu filho, entregar.”, falou Clarice.