Ataques a profissionais de enfermagem crescem e expõem fragilidade do sistema de saúde

Crescimento dos ataques expõe sobrecarga, falta de proteção e impactos emocionais que atingem enfermeiros, técnicos e auxiliares em todo o país

A violência contra profissionais de enfermagem tem se tornado uma preocupação crescente no sistema de saúde brasileiro. Enfermeiros, técnicos e auxiliares relatam agressões constantes, físicas, verbais e até ameaças, em hospitais, prontos-socorros e unidades básicas de saúde.

Segundo o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), os registros de violência aumentaram nos últimos anos, especialmente após a pandemia de covid-19. Para os trabalhadores que estão na linha de frente, o medo e o desgaste emocional já fazem parte da rotina.

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O enfermeiro e professor Pedro Palha, diretor da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP, especialista em Saúde Pública, explica que a violência na enfermagem não é um fenômeno novo. Ele destaca que esses profissionais costumam ser o primeiro contato de quem busca atendimento.

Para o professor, a presença de segurança nas unidades ajuda a reduzir agressões, mas não resolve o problema de forma isolada. Ele ressalta que mecanismos complementares podem ser implementados, como tecnologias de monitoramento e ações preventivas.

Além disso, aponta a necessidade urgente de políticas públicas que garantam ambientes seguros nas unidades de saúde. Câmeras de vigilância, equipes de apoio psicológico e campanhas de conscientização são medidas consideradas fundamentais.

A categoria também se articula por melhorias estruturais. “Primeiro, é o mapeamento que está sendo feito em relação às diferentes formas de violência que são impetradas contra a classe da enfermagem; segundo, a redução da jornada de trabalho para 30 horas semanais; terceiro, a implementação, de fato, do piso salarial da enfermagem; e quarto, a melhoria do dimensionamento de recursos humanos de enfermagem dentro do sistema de serviços de saúde.”

Impacto na saúde e na carreira

O aumento da demanda por atendimento, a falta de estrutura nos serviços públicos e a sobrecarga emocional de pacientes e familiares são fatores que intensificam o cenário.

Para o Sindicato dos Enfermeiros do Estado de São Paulo, há um processo de normalização das agressões. “Há uma banalização da violência. Os profissionais estão exaustos e, ao mesmo tempo, vulneráveis. A agressão passou a ser vista como parte do cotidiano.”explica o orgão ao Jornal da USP

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Os efeitos dessa violência vão além do momento das agressões. Muitos profissionais desenvolvem ansiedade, depressão e síndrome de burnout. Há ainda afastamentos e pedidos de demissão, o que reduz o número de trabalhadores e compromete a qualidade do atendimento.

A enfermagem enfrenta a rotina de salvar vidas enquanto luta por segurança, respeito e condições mínimas de trabalho.

(Sob supervisão de Aline Campolina)

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Izabella Gomes se graduou em Jornalismo na PUC Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias de Educação e Saúde.

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