Primeira Ferrari elétrica terá quatro motores e painel inspirado na Apple

Cabine do superesportivo foi desenhado pelo ex-designer da fabricante do iPhone

A Ferrari divulgou mais detalhes do seu inédito superesportivo elétrico, que será lançado no segundo semestre. Antes chamado de Elettrica, o modelo teve o nome mudado para Luce (luz, em italiano) e, apesar de ser movido a baterias, promete um ronco “quase tão real” quanto o de um carro com motor a combustão.

De acordo com a Ferrari, o interior do Luce foi desenhado por Jony Ive, ex-chefe de design da Apple, que trabalhou ao lado do fundador da empresa, Steve Jobs, e chegou a ocupar a vice-presidência da gigante tecnológica.

Embora apresente uma tendência minimalista, a cabine do superesportivo ostenta elementos retrô inspirados nos carros da marca dos anos 1970. O painel é formado por três visores digitais redondos que simulam instrumentos analógicos. Ao lado, outra tela, com visual parecido com os dos dispositivos da Apple, concentra informações da multimídia, gestão de energia, ventilação dos bancos, entre outros comandos do carro.

O volante de três com acabamento em alumínio imita outros modelos da Ferrari, com os botões de acionamento das setas próximos dos polegares do motorista. Logo abaixo, o seletor giratório conhecido como “manettino” permite escolher os modos de condução, que limitam ou liberam a cavalaria de acordo com o tipo de uso do carro. Também é possível desligar os controles de estabilidade e tração para deixar o superesportivo mais permissivo em pistas fechadas.

O console central também é simplório, mas funcional ao abrigar somente a pequena alavanca seletora do câmbio, um emblema da Ferrari, as teclas de acionamento dos vidros, de abertura do porta-malas e do travamento das portas.

Um chamativo botão laranja no teto dá a partida no motor, enquanto comandos inspirados na aviação acionam as luzes e os desembaçadores dos vidros. A tecla “SOS” entra em contato com os serviços de emergência em caso de acidente ou pane.

Quatro motores e mais de 1.000 cv

A Ferrari antecipou no fim de 2025 que o novo supercarro contará com quatro motores elétricos, desenvolvidos pela própria marca, que somam mais de 1.000 cv de potência total. No eixo dianteiro, serão dois propulsores com 286 cv combinados, enquanto o eixo traseiro abrigará outros dois motores capazes de gerar 843 cv. No modo Boost, a potência ultrapassará os 1.000 cv, permitindo aceleração de 0 a 100 km/h em apenas 2,5 segundos e velocidade máxima de 310 km/h.

Um dos quatro motores da Ferrari Elettrica

O sistema Torque Shift Engagement oferecerá cinco níveis ajustáveis de potência e torque, controlados por um seletor do lado direito do volante, enquanto outro comando, à esquerda, permitirá ajustar a intensidade da frenagem regenerativa que recarrega as baterias.

A Elettrica será também o primeiro modelo da Ferrari com subchassi traseiro separado, solução que, segundo a marca, melhora o conforto ao reduzir vibrações e ruídos dentro da cabine.

Mais de 500 km de autonomia

A bateria terá 122 kWh de capacidade e será integrada ao assoalho, o que reduz o centro de gravidade em 80 mm em relação a um modelo a combustão. Com densidade energética de 195 Wh/kg, a Ferrari afirma que este é o valor mais alto entre veículos elétricos de produção. O sistema de resfriamento foi projetado para suportar carregamento ultrarrápido de até 350 kW, e a autonomia deverá ultrapassar 530 km, segundo estimativas da marca.

Baterias da Ferrari Elettrica terão 530 km de autonomia

A Ferrari também promete uma experiência sonora diferenciada. Para compensar o silêncio natural dos motores elétricos, o carro usará um sensor no inversor, que detecta vibrações mecânicas reais do trem de força. Esses sons serão amplificados e modulados para criar o que a marca descreve como “um timbre natural e evolutivo que reflete o modo de condução” — uma tentativa de manter viva a tradição acústica da Ferrari, mesmo sem o ronco de um V8 ou V12.

Ferrari mais pesada de todos os tempos

Com peso total de cerca de 2.300 kg, a Elettrica será a Ferrari mais pesada já produzida, mas compensará com o uso extensivo de alumínio reciclado (75% da carroceria e do chassi). A distância entre-eixos de 2,96 metros indica balanços curtos e uma posição de condução próxima ao eixo dianteiro. A suspensão ativa será similar à usada nos modelos Purosangue e F80, enquanto os pneus serão fornecidos por três fabricantes diferentes, em cinco tipos específicos.

Chassi da Ferrari Elettrica acomoda as baterias no assoalho

O design externo ainda é mantido em segredo, e os protótipos circulam em teste com carrocerias disfarçadas. A expectativa é que o modelo de produção combine elementos de crossover, hatch e GT, reforçando a identidade moderna da marca.

Toda a produção do supercarro elétrico será concentrada em Maranello, na nova fábrica dedicada a veículos elétricos, marcando o início de uma nova era para a Ferrari.

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Guilherme Silva gosta do meio automotivo desde que se conhece por gente, mas começou a trabalhar no setor por acaso. São mais de 15 anos de experiência na área, com passagens por iCarros, Carsale, Webmotors, KBB e Mobiauto, além de ter colaborado com as tradicionais revistas Autoesporte, Motor Show e Quatro Rodas, produzindo matérias de diferentes temas e cobrindo eventos e salões no Brasil e no exterior.

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