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Tecnologia e bioinsumos preparam cacauicultura para nova lei e crise climática

Exigência por maior teor de cacau no mercado impulsiona adoção de ferramentas digitais e manejo biológico nas lavouras

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Tecnologia e bioinsumos preparam cacauicultura para nova lei e crise climática
Canva/ Reprodução

A recente sanção da Lei 15.404, em 8 de maio de 2026, estabeleceu critérios mais rígidos de rotulagem para a indústria de alimentos, exigindo entre 25% e 35% de teor de cacau para que um produto seja comercializado como "chocolate". A nova regra proíbe o uso de imagens ou expressões que induzam o consumidor ao erro em produtos de menor teor. A expectativa é que a exigência por maior pureza aqueça a busca por matéria-prima nacional.

No entanto, o aumento da demanda esbarra na vulnerabilidade do setor produtivo frente às mudanças climáticas. Secas prolongadas, estresse térmico e a proliferação de doenças, com impacto severo no Sul da Bahia, reduzem a produtividade das lavouras.

De acordo com um estudo publicado por Shelake et al. na revista Plants (julho de 2024), o calor extremo compromete a fotossíntese, a transpiração e a estabilidade celular do cacaueiro. A pesquisa destaca que a combinação entre estresse térmico e pragas gera danos acumulados mais graves à saúde da planta do que a ocorrência isolada de cada fator.

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Monitoramento e bioinsumos no campo

Para mitigar as perdas, produtores vêm adotando tecnologias de monitoramento, como satélites meteorológicos e sensores de solo. As ferramentas orientam decisões sobre poda, plantio e colheita, além de permitirem o diagnóstico precoce de enfermidades como a vassoura-de-bruxa: praga que, a partir de 1989, afetou severamente a cacauicultura baiana e transferiu a liderança nacional de produção para o Pará.

Junto à tecnologia digital, o uso de bioinsumos ganha espaço na cacauicultura do Norte do país, a exemplo do que já ocorre em grandes culturas como soja e milho. A aplicação de bactérias benéficas no sistema radicular aumenta a resistência das plantas ao calor e a longos períodos de estiagem.

Segundo Fellipe Parreira, especialista em Portfólio e Acesso do Grupo GIROAgro, os produtos biológicos auxiliam na redução da dependência de insumos sintéticos. "Com uma inoculação bem feita, a planta acessa o nitrogênio de forma natural, desenvolve um sistema radicular mais robusto e ganha maior estabilidade produtiva", destacou o especialista, apontando a expansão do setor em busca de sustentabilidade e eficiência no campo.

Apesar do avanço tecnológico, especialistas apontam que a sustentabilidade da cacauicultura a longo prazo depende da conservação florestal, da disponibilidade hídrica e da integração entre o conhecimento científico e as dinâmicas locais dos territórios produtores.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.

 

 

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