Vinho sem álcool de vinícola familiar do PR preserva saúde arterial, indica SBC
Trabalho científico atesta benefícios de marca pioneira de Bandeirantes (PR) em mercado impulsionado por nova geração de consumidores saudáveis

Uma pesquisa científica publicada na International Journal of Cardiovascular Sciences (IJCS), periódico oficial da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), traz novos dados sobre o impacto do vinho sem álcool no sistema cardiovascular. O estudo clínico avaliou o rótulo Casa Navaronne Bordô Demi-Sec Sem Álcool, produzido pela Vinícola La Dorni, em Bandeirantes, no Norte do Paraná, comparando seus efeitos imediatos sobre a função vascular em relação ao vinho tinto convencional.
Conduzido pelo Instituto de Cardiologia de Santa Catarina (ICSC) em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UniSul), o trabalho analisou a resposta do endotélio, camada celular que reveste o interior dos vasos e coordena a dilatação arterial diante do fluxo sanguíneo.
Os dados do estudo revelaram dinâmicas distintas entre as bebidas:
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Vinho sem álcool (La Dorni): preservou a Dilatação Mediada por Fluxo (FMD), indicador clínico utilizado pela cardiologia para aferir a saúde e a capacidade de adaptação das artérias.
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Vinho tinto tradicional: apresentou redução significativa na medição do mesmo marcador funcional após o consumo, dentro das condições analisadas na pesquisa.

Polifenóis em evidência
A investigação corrobora a tese de que os potenciais benefícios do vinho para a circulação decorrem dos polifenóis, compostos bioativos antioxidantes presentes na casca e nas sementes da uva, e não do etanol. Para o ensaio, as amostras foram padronizadas para entregar volumes equivalentes de flavonoides, isolando a presença do álcool como a variável de impacto na resposta dos vasos.
Assinado pelos pesquisadores Daniel Medeiros Moreira, Luiza Frassetto Martins, Lucca Antonini Savas e Rafael Cegielka, o estudo motivou a publicação de um editorial temático na revista da SBC e ganhou projeção na plataforma de divulgação científica SciELO.
Pioneira no segmento de bebidas desalcoolizadas no país desde 2000, a vinícola paranaense celebrou o respaldo acadêmico.
"Ver um vinho sem álcool produzido no interior do Paraná integrar uma pesquisa publicada por um dos mais importantes periódicos científicos da cardiologia brasileira reforça nosso compromisso com a inovação e com a busca permanente pela excelência. Desde o ano 2000, quando iniciamos a jornada pioneira de produzir vinhos desalcoolizados no Brasil, acreditamos no potencial da uva e da tecnologia. Este estudo é a consolidação de um trabalho focado na saúde e na qualidade", afirmou o Sr. José Aparecido Martins, proprietário da Vinícola La Dorni.

Tradição, processo técnico e a virada de público no mercado nacional
Com mais de 40 anos de trajetória na agroindústria e sediada em um castelo de inspiração medieval em Bandeirantes (PR), a La Dorni iniciou o projeto de desalcoolização no ano 2000 sob o comando de José Aparecido Martins. Diferente do suco de uva convencional, que passa por cozimento e pasteurização sem fermentação, o vinho sem álcool passa por todo o processo normal de vinificação antes de ter o etanol extraído.
"Para você obter um suco de uva, basicamente faz o cozimento das uvas e a pasteurização, sem fermentação. Já o vinho sem álcool primeiro fermenta, se transforma num vinho normal e depois ocorre a desalcoolização. Por isso é um vinho sem álcool e não um suco de uva", explicou o proprietário e sommelier da vinícola, Jonathan Martins, filho do Sr. José.
Segundo o especialista, a técnica exige maior volume de matéria-prima e concentra os compostos benéficos da fruta. "São necessários cerca de dois cachos de uva para fazer o vinho sem álcool, contra um cacho na versão tradicional. O produto desalcoolizado chega a ter entre 70% e 80% mais resveratrol do que a versão com álcool da mesma uva, porque as substâncias benéficas da casca ficam mais concentradas", destacou.
Essa maior densidade de compostos bioativos reflete diretamente na circulação sanguínea. "O vinho sem álcool atua dilatando as veias e artérias, aumentando o calibre dos vasos para o sangue circular melhor", pontua Jonathan, ressaltando que o perfil de consumo passou por uma transformação radical nas últimas duas décadas.
Se nos anos 2000 a busca partia de um público mais sênior, impulsionada por restrições médicas, motivos religiosos ou autorizações especiais para missas de padres que não podiam consumir álcool, hoje a demanda é puxada por jovens e adeptos de hábitos saudáveis.
"A geração mais nova busca viver sem ressaca e acorda cedo disposta. Vemos o vinho sem álcool sendo usado como pré-treino por atletas, integrado a dietas e muito procurado por gestantes. Embora o consumidor antigo seja mais fiel à marca, o público jovem tem alta rotatividade e nos desafia a disputar presença na mesa diariamente", concluiu o sommelier.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.













