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Etanol de cereais avança para o Matopiba e abre espaço para o sorgo no Brasil

Com 27 novos projetos em desenvolvimento, indústria evolui para o conceito de biorrefinarias flexíveis, cria mercado para grãos alternativos e fortalece a economia circular no campo

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Etanol de cereais avança para o Matopiba e abre espaço para o sorgo no Brasil
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A indústria de biocombustíveis no Brasil passa por uma reconfiguração geográfica e tecnológica. Depois de se consolidar em polos mato-grossenses como Campo Novo do Parecis e o eixo da BR-163, a produção de etanol de cereais expande suas fronteiras em direção ao Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) e ao Vale do Araguaia. O movimento aproxima as plantas fabris de novas áreas produtoras e estimula a adoção de matérias-primas alternativas, com destaque para o sorgo.

Atualmente, o país conta com 29 usinas de etanol de milho em operação, responsáveis pelo processamento anual de 20,9 milhões de toneladas do grão e pela geração de 10,6 bilhões de litros do biocombustível. O ritmo de crescimento permanece aquecido: levantamentos de mercado para 2026 apontam 27 novos projetos em desenvolvimento no território nacional.

Etanol de milho segue em avanço no Brasil • Divulgação
Etanol de milho segue em avanço no Brasil • Divulgação

Segundo o engenheiro agrônomo e consultor de mercado da Céleres, Enilson Nogueira, a interiorização da indústria nasceu para mitigar o impacto do frete sobre a produção de grãos, agregando valor à segunda safra local. A evolução do parque fabril, no entanto, alterou o fluxo logístico nacional. "O ganho de eficiência industrial ampliou a competitividade. Atualmente, o etanol produzido em Mato Grosso chega ao mercado paulista e disputa espaço diretamente com o combustível produzido a partir da cana-de-açúcar", analisou o especialista.

Sorgo ganha protagonismo nas novas fronteiras agrícolas

Nas novas áreas de expansão, a dinâmica de abastecimento difere do Centro-Oeste consolidado. Em regiões do Matopiba e no leste mato-grossense — entre Água Boa e Querência —, a instabilidade da janela climática torna o cultivo do milho de segunda safra uma atividade de maior risco.

Nesse contexto, o sorgo surge como alternativa estratégica devido à sua maior tolerância ao estresse hídrico e às altas temperaturas. Sob o ponto de vista fabril, o cereal exige poucos ajustes industriais para entregar rendimentos de etanol e coprodutos similares aos do milho.

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Biorrefinarias e integração com a pecuária

A diversificação do mix de grãos consolida a transição das unidades de processamento para o conceito de biorrefinarias flexíveis, adaptáveis à oferta, ao custo regional do amido e ao clima.

Além do biocombustível, o modelo de negócios é sustentado pelos Grãos Secos de Destilaria (DDG/DDGS). O coproduto representa entre 20% e 30% da receita das usinas e atua como insumo de alto valor proteico para a nutrição de bovinos, aves e suínos localmente. A integração cria uma engrenagem de economia circular, atraindo investimentos para a infraestrutura regional e estimulando a pecuária intensiva nas áreas do entorno.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.

 

 

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