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Supermercados Carrefour sob ameaça de boicote no Brasil por impasse no acordo UE-Mercosul

O diretor-executivo do Carrefour, Alexandre Bompard, disse aos sindicatos franceses que a rede “não venderá nenhuma carne procedente do Mercosul”, o que causou indignação no Brasil

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Carrefour sob ameaça de boicote no Brasil • Reprodução Facebook

Os supermercados da rede francesa Carrefour no Brasil enfrentam uma ameaça de boicote pelo anúncio do grupo de que não venderá carne dos países do Mercosul na França.

O anúncio causou indignação no Brasil, onde o governador do Mato Grosso lidera uma convocação para boicotar as lojas do Carrefour em nível nacional.

"Do jeito que você me trata, eu posso também te tratar. Então, se o Brasil não serve para vender carne para eles, então eles não servem para vender produtos franceses", manifestou-se o governador mato-grossense, Mauro Mendes (União), em um vídeo publicado na sexta-feira nas redes sociais.

"Como cidadão, não vou mais comprar nas lojas deles", disse, recebendo forte apoio na internet.

O Carrefour enfatizou que a negativa associada à carne do Mercosul se aplica apenas aos estabelecimentos franceses do grupo.

No entanto, segundo a imprensa local, caminhões de distribuição de carne se negaram a abastecer cerca de 150 supermercados da rede Carrefour no Brasil.

O Grupo Carrefour Brasil negou, em um comunicado, que algumas de suas lojas estivessem desabastecidas de carne.

"É improcedente a alegação de que [...] há desabastecimento de carne nas lojas do Grupo Carrefour Brasil. Tal alegação, veiculada sem identificação de fonte, contribui para desinformação", informou o grupo.

"A comercialização do produto ocorre normalmente nas lojas. Nenhuma loja está desabastecida", acrescentou.

O governo francês se opôs firmemente ao acordo entre a UE e o Mercosul, um pacto negociado há muito tempo, que reacendeu a revolta dos agricultores de toda a União Europeia.

O presidente francês, Emmanuel Macron, participou, em 18 e 19 de novembro, da cúpula do G20, no Rio. Antes, ele esteve na Argentina, onde o presidente Javier Milei disse que "não estava satisfeito" com o pacto.

No entanto, a Comissão Europeia, braço executivo da UE, tem a intenção de concluir rapidamente o acordo comercial com o Mercosul, cujos termos foram acordados em 2019. Alemanha e Espanha também expressaram impaciência para ver o acordo fechado.

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