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Ração que já matou 122 cavalos no Brasil é suspensa pelo Mapa

A fábrica da empresa no interior de Goiás está interditada desde o dia 4 de junho

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Cavalo em estábulo
Tutores informaram que os animais mortos consumiram rações fabricadas pelo mesmo estabelecimento • Pixabay/ Banco de imagem

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) determinou o recolhimento, em todo o território nacional, de todos os produtos destinados a equídeos fabricados pela empresa Nutratta Nutrição Animal, com data de fabricação a partir de 21 de novembro de 2024.

Desde o início da investigação, em 26 de maio, foram registradas 122 mortes de equinos em diferentes municípios dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Alagoas. Outras 36 mortes são investigadas.

A fábrica da empresa no interior de Goiás está interditada desde o dia 4 de junho. Segundo o Mapa, em todos os casos analisados até o momento, os tutores informaram que os animais consumiram rações fabricadas pelo mesmo estabelecimento. A empresa está sob investigação, e a comercialização dos produtos foi suspensa por risco à saúde animal.

"De acordo com a Lei nº 14.515/2022 (Lei do Autocontrole), é responsabilidade do fabricante a adoção imediata de medidas de autocorreção, incluindo o recolhimento dos lotes afetados. O Mapa segue realizando ações de campo, incluindo necropsias, coletas de amostras e levantamentos nas propriedades com ocorrência dos casos, para identificar, de forma técnica, os fatores que possam estar relacionados aos óbitos. O Ministério reforça que as ações de fiscalização não isentam o fabricante de suas responsabilidades legais, conforme prevê a legislação", informou a pasta em nota oficial.

O que diz a empresa?

No início da investigação, antes do recolhimento anunciado nesta terça-feira (17), a empresa emitiu uma nota em seu site, lamentando as perdas dos animais.

"Receber relatos de perdas de animais tão valiosos — não apenas do ponto de vista

econômico, mas, sobretudo, afetivo — tem nos tocado de forma intensa e pessoal.

Sabemos que, para muitos, esses animais são parte da família, companheiros de vida e

trajetória. Sentimos profundamente a dor de cada um, e nos solidarizamos com genuína

empatia pelo sofrimento que atravessa todo o setor.

Desde os primeiros sinais de anormalidade, optamos por agir com máxima responsabilidade e cautela, evitando qualquer tipo de manifestação precipitada. Em respeito à gravidade do que está sendo vivenciado, concentramos todos os nossos esforços na apuração técnica rigorosa dos fatos, colaborando de forma integral com os órgãos competentes e reforçando nossos controles internos com o apoio de nosso corpo técnico especializado.

Ressaltamos que o nosso pronunciamento, nesse momento, não se deu por omissão,

mas sim por respeito à busca pela verdade – um dos valores inegociáveis da

empresa. Preferimos adotar uma postura responsável e conservadora, ao invés de

emitir alertas sem fundamentação técnica ou orientações precipitadas diante de um

cenário desconhecido, sensível e sem precedentes. Esta postura foi adotada em nome

da transparência, da ética e da integridade do processo de apuração.

É importante destacar que a Nutratta detém patente sobre a tecnologia de extrusão de

fibras aplicada à nutrição animal, com resultados comprovadamente superiores à

média do mercado. Essa tecnologia exclusiva reflete nosso compromisso com a

inovação, qualidade e segurança nutricional. Atuamos há mais de 13 anos no

mercado de nutrição equina e somos reconhecidos pela seriedade, consistência

técnica e pelo respeito às necessidades dos animais e dos profissionais que confiam

em nossos produtos. Ao longo dessa trajetória, construímos relações pautadas em

responsabilidade, pesquisa e compromisso com a vida.

Esclarecemos que as linhas de nutrição equina e bovina da Nutratta são desenvolvidas de

forma totalmente independente, com formulações distintas e protocolos de produção

específicos para cada espécie, conforme os mais rigorosos padrões técnicos e sanitários.

Até o momento, não há qualquer evidência de contaminação ou falha nos produtos

destinados à bovinocultura. A ração bovina segue sendo utilizada por diversos clientes,

sem qualquer intercorrência clínica registrada.

Em relação à linha equina, informamos que a unidade fabril foi interditada

preventivamente pelo Ministério da Agricultura na última quarta-feira (04), por meio de

termo de suspensão cautelar de fabricação, como parte dos procedimentos de

fiscalização em curso. A interdição foi acompanhada pela coleta de diversas amostras de

matérias-primas e produtos acabados, além do lacre de um caminhão, encaminhado para

realização de análises laboratoriais completas (incluindo testes para monensina, clostridium e micotoxinas). Todas as exigências vêm sendo integralmente atendidas por nossa equipe, que permanece à disposição das autoridades para fornecer todo o suporte necessário à investigação.

Ressaltamos que todas as medidas possíveis já foram adotadas desde os primeiros

relatos, com revisão de protocolos, suspensão preventiva de lotes e rastreabilidade

completa da cadeia de suprimentos. As amostras das matérias-primas fornecidas por

nossos parceiros também foram recolhidas pelo MAPA para análise.

Acreditamos que, com base nas amostras sob responsabilidade dos laboratórios oficiais,

será possível alcançar, em breve, uma conclusão clara e embasada. Sabemos que nenhum

laudo técnico trará de volta os animais perdidos, mas seguimos comprometidos em buscar, com total transparência, respostas que possam oferecer ao menos alguma forma de justiça e aprendizado diante de tamanha tragédia.

Reiteramos nosso compromisso com a verdade, a ética e o respeito incondicional à vida

animal e ao setor equestre brasileiro. A Nutratta permanece à disposição de todos os

clientes, distribuidores e profissionais para qualquer esclarecimento necessário, visitas

técnicas e acompanhamento de todas as etapas do processo investigativo.

Assim que houver uma posição oficial por parte do MAPA, a primeira comunicação

pública será feita diretamente a vocês, com a seriedade e sensibilidade que este

momento exige".

Após o anúncio do recolhimento, a Itatiaia procurou a defesa da empresa e aguarda um retorno. O espaço segue aberto.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde