Belo Horizonte
Itatiaia

Produção de carnes do Brasil deve bater recorde de 33 milhões de toneladas em 2026

Impulsionada pela avicultura e suinocultura, produção total mantém patamar histórico; setor de ovos também projeta crescimento de 4,6%

Por
Produção de carnes do Brasil deve bater recorde de 33 milhões de toneladas em 2026
Grandes motores deste crescimento são os setores de aves e suínos • Canva/ Banco de imagem

O agronegócio brasileiro reafirma sua força global em 2026. Segundo dados divulgados na última sexta-feira (10) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção nacional de carnes (bovina, suína e de frango) deve atingir 33,38 milhões de toneladas este ano. O volume consolida o país em um patamar de produção recorde, muito próximo ao desempenho de 2025, com o diferencial de que as exportações totais devem alcançar o maior valor da série histórica.

Os grandes motores deste crescimento são os setores de aves e suínos, que juntos devem superar, pela primeira vez, a marca de 22 milhões de toneladas.

Suinocultura: maior salto da série histórica

O setor de carne suína é o destaque percentual do relatório. Com um rebanho de 44,8 milhões de cabeças, a produção deve crescer quase 4% em relação ao ano passado, totalizando 5,88 milhões de toneladas.

De acordo com Gabriel Rabello, gerente de Fibras e Alimentos Básicos da Conab, o otimismo é sustentado pela abertura de novos mercados internacionais. As exportações devem crescer 6,1%, chegando a 1,58 milhão de toneladas. Apesar do apetite externo, o consumidor brasileiro também será beneficiado: a disponibilidade interna do produto deve subir 3,4%.

Avicultura: liderança mundial e sanidade blindada

A produção de carne de frango deve ultrapassar as 16 milhões de toneladas em 2026. O Brasil se consolida como o principal fornecedor global, aproveitando-se de um status sanitário diferenciado.

"As exportações devem continuar em ascensão graças ao baixo impacto da gripe aviária no Brasil em comparação a outros países", explica Rabello.

A estimativa é de que 5,34 milhões de toneladas sejam enviadas ao exterior (alta de 3,6%), enquanto 10,85 milhões de toneladas ficarão no mercado doméstico para garantir o abastecimento nacional.

Carne bovina: ciclo pecuário e o 'fator China'

Diferente das outras proteínas, a carne bovina deve apresentar uma leve retração de 5,3% na comparação com o recorde de 2025, reflexo da inversão do ciclo pecuário. Ainda assim, o volume de 11,3 milhões de toneladas representa a segunda maior marca da história do país.

Vale destacar que, em 2025, o Brasil atingiu o feito inédito de se tornar o maior produtor mundial de carne bovina, superando os Estados Unidos no ranking do USDA. Para 2026, o desafio reside na nova política comercial da China.

  • Cota de salvaguarda: desde 1º de janeiro, Pequim limitou as importações brasileiras a 1,1 milhão de toneladas anuais.
  • Sobretaxa: volumes que excederem a cota pagam 55% de imposto.
  • Estratégia: especialistas preveem uma concentração de embarques no primeiro semestre para aproveitar a cota antes do teto ser atingido.

Setor de ovos em alta

O mercado de ovos também segue a tendência de alta. A projeção é de uma produção de 51,2 bilhões de unidades, um aumento de 4,6% frente aos 49 bilhões registrados em 2025. O incremento garante a sustentabilidade do setor produtivo e maior oferta de proteína acessível no prato dos brasileiros.

Por

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde