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Privatização das inspeções sanitárias divide opiniões no setor agropecuário

Sindicato que representa os auditores fala de falta de credibilidade do setor, já o sindicato dos produtores vê a medida como uma forma de agilidade

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Carne bovina em frigorífico
Proposta busca complementar a inspeção oficial • Divulgação/ ABIEC

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) iniciou o credenciamento de empresas privadas para executar atividades técnicas e operacionais de defesa agropecuária, entre elas estão as inspeções sanitárias para garantir a segurança dos alimentos consumidos. A medida está amparada pelo Decreto nº 12.126, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que regulamenta programas de autocontrole dos agentes privados.

Segundo a pasta, a proposta busca complementar a inspeção oficial, aumentando a eficiência em locais com maior complexidade operacional ou onde há dificuldade de provimento de servidores, sem comprometer os padrões técnicos e a segurança sanitária. O Ministério ressalta que a atuação dos auditores fiscais federais agropecuários continua sendo essencial, cabendo a eles a coordenação das atividades e as decisões técnicas.

Divergência entre auditores e produtores

A decisão, no entanto, gera controvérsia. Para o vice-presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical), Ricardo Aurélio, a privatização representa um risco à credibilidade da carne brasileira no mercado interno e externo.

“Essas inspeções envolvem verificações antes e depois do abate. O setor conquistou mais de 400 mercados internacionais porque mantém um alto padrão de confiança. Ao terceirizar, há risco de desarticulação da cadeia produtiva e de conflitos de interesse, já que empresas privadas contratadas pelos frigoríficos não têm a mesma isenção dos agentes públicos”, afirmou.

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Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.