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Pesquisa busca estratégias para a redução de gases de efeito estufa na piscicultura

Pesquisa visa aprimorar a formulação de rações visando melhorar o aproveitamento da dieta, reduzir resíduos e diminuir a pegada de carbono

Um novo estudo brasileiro está procurando formas de mitigar as emissões de gases de efeito estufa (GEE) na aquicultura. Realizado pela Embrapa Agropecuária Oeste (MS), em parceria com a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), a pesquisa visa aprimorar a formulação de rações para peixes com o objetivo de melhorar o aproveitamento da dieta, reduzir resíduos e, consequentemente, diminuir a pegada de carbono da cadeia produtiva.

O estudo possui como foco inicial a criação de tilápias, que representa 65% da produção aquícola nacional. Outra parte diz respeito ao manejo da piscicultura e seus resíduos com o mesmo objetivo.

De acordo com a pesquisadora da Embrapa Agropecuária Oeste, Tarcila Souza de Castro Silva, o principal objetivo da pesquisa é aumentar a eficiência alimentar das tilápias, minimizando a quantidade de sobras de ração, fezes e carcaças que se acumulam na água e nos sedimentos dos sistemas de cultivo. “Estudos indicam que apenas 20% a 60% da matéria orgânica e nutrientes da ração se transformam em biomassa de peixes, com a maior parte se tornando resíduo e contribuindo para a emissão de GEE”, explica.

Luis Antonio Kioshi Aoki, também pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, compartilha que um dos principais resultados esperados com a pesquisa está relacionado a redução dos impactos ambientais diretos das emissões de GEE, a otimização da alimentação dos peixes e formas de reaproveitamento dos resíduos gerados, proporcionando ainda mais sustentabilidade aos sistemas aquícolas. “A redução da pegada ambiental é considerada essencial para que os produtores brasileiros possam competir em mercados internacionais com normas ambientais rigorosas e estamos trabalhando para contribuir com esses resultados ainda melhores”, afirma Inoue.

Os cientistas acreditam que existe uma relação crucial entre a nutrição dos peixes e as emissões de gases. “A alimentação dos peixes representa o maior aporte de matéria-orgânica e nutrientes nos ambientes aquícolas. Uma menor parte desses são retirados dos sistemas, por meio da retirada dos peixes na despesca. O restante desses materiais nem sempre são possíveis de serem removidos, o que podem representar as maiores fontes para as emissões de gases efeito estufa”, explica Tarcila.

Os gases que estão sendo estudados, atualmente, incluem dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e óxido nitroso (N2O).

Reutilização de resíduos

A equipe também explora outras possibilidades para lidar com os excessos de resíduos. O pesquisador Inoue conta que toda a equipe do Laboratório de Piscicultura da Embrapa tem se dedicado a explorar formas de coletar e reutilizar os resíduos gerados pelos peixes, especialmente em sistemas de produção mais intensivos, como os tanques elevados. A intenção é viabilizar informações que possibilitem a utilização desses resíduos na produção de bioinsumos ou biogás.

Estas pesquisas estão sendo realizadas pela Embrapa Agropecuária Oeste, intituladas, respectivamente, “Estratégias para mitigação das emissões dos gases de efeito estufa a partir da reciclagem e agregação de valor dos resíduos da piscicultura” e “Métodos de mensuração de GEE e modelo para estimativa de temperatura da água em função da temperatura do ar como estratégias de mitigação das emissões de GEE na produção de peixes”.

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Existe ainda um terceiro projeto de pesquisa, em andamento, que conta com apoio do Governo Federal, por meio do Edital Universal CNPq, intitulado “Influência de diferentes fontes protéicas e energéticas na alimentação de tilápias sobre a digestibilidade, caracterização dos resíduos e emissão de gases de efeito estufa”.

As atividades de pesquisa contam com a participação de pesquisadores da Embrapa Agropecuária Oeste (Dourados/MS), Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna/SP), Embrapa Agricultura Digital (Campinas/SP), Embrapa Pesca e Aquicultura (Palmas/TO), além de docentes e discentes da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD).

*Giulia Di Napoli colabora com reportagens para o portal da Itatiaia. Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.