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'Ouro Verde': RS inicia colheita com expectativa de recorde de azeite em 2026

Após dois anos de safras frustradas, cenário positivo é fruto de uma combinação climática

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'Ouro Verde': RS inicia colheita com expectativa de recorde de azeite em 2026
As variedades Koroneiki e Arbequina lideram os índices de produtividade • Fernando Dias/Seapi

Após dois anos de safras frustradas por instabilidades climáticas, a olivicultura gaúcha vive um momento de redenção. Com a colheita em pleno vapor, a Safra 2025/2026 destaca-se pela excelência na qualidade dos frutos e produtividade surpreendente, consolidando o Rio Grande do Sul como o maior produtor de azeite de oliva do Brasil.

De acordo com o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, divulgado nesta quinta-feira (09), o cenário positivo é fruto de uma combinação climática: frio adequado no inverno, primavera com chuvas dentro da média e um verão bem distribuído. O resultado é um produto com perfil sensorial intenso e alta concentração de compostos benéficos à saúde.

Regiões produtoras

O estado, que detém 75% da produção nacional, apresenta desempenhos robustos em seus principais polos:

  • Pelotas: as oliveiras exibem ótima sanidade e rendimento. Diferente de outras culturas, o foco aqui não é a venda do fruto, mas a produção de azeites de marca própria através de lagares contratados.
  • Santa Maria e Região: municípios como Cachoeira do Sul e São Sepé garantem azeites de qualidade superior nesta temporada.
  • Encruzilhada do Sul: o município segue como destaque com cerca de mil hectares plantados, sendo um dos motores da expansão estrutural do setor.

No campo, as variedades Koroneiki e Arbequina lideram os índices de produtividade, confirmando sua boa adaptação ao solo gaúcho.

 

Qualidade que conquista mercados

O diferencial do azeite gaúcho nesta safra reside na colheita precoce. Ao colher os frutos ainda verdes, os produtores obtêm um azeite com maior estabilidade oxidativa e notas herbáceas marcantes.

"A qualidade segue como destaque. Esse padrão tem contribuído para a valorização do produto em mercados especializados", avaliou Antônio Borba, engenheiro florestal e extensionista da Emater/RS-Ascar.

Para celebrar a retomada do setor, o município de Triunfo sediará, na próxima quarta-feira (17), a 14ª Abertura Oficial da Colheita da Oliva. O evento contará com:

  • Cerimônia oficial: início às 11h;
  • Feira de negócios: exposição de máquinas e insumos;
  • Feira do Azeite Novo: degustação e venda dos primeiros lotes da safra;
  • Ciclo de palestras: debates técnicos com especialistas sobre o futuro da cadeia produtiva.

Desafios e perspectivas

Apesar do otimismo, o setor mantém a cautela. A olivicultura é conhecida pela sua sensibilidade à variação climática e alternância de safras. "Espera-se uma excelente safra, mas somente depois de colhida poderemos afirmar a magnitude da produção e o quanto isso vai resultar em litros de azeite", ressaltou Borba.

Atualmente, o estado possui mais de 6 mil hectares cultivados em 110 municípios. A Safra 2025/2026 marca não apenas o retorno financeiro aos produtores, mas a resiliência de uma cultura que se torna, a cada ano, um símbolo da gastronomia e do agronegócio do Rio Grande do Sul.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde