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Novo 'ouro negro': Minas se articula para criar polo de produção de cacau

Foco da expansão está no Norte do estado, com potencial do semiárido para expandir a área plantada

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Diferencial mineiro será testar o cultivo do cacau sob condições não tradicionais • Diego Vargas/Seapa-MG

Na semana em que se celebra o Dia Mundial do Cacau (26 de março), Minas Gerais revela planos para deixar de ser apenas um coadjuvante na cultura e se tornar um polo produtor de destaque. Atualmente ocupando a 10ª posição no ranking nacional, o estado aposta na tecnologia, na pesquisa da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) e no potencial do semiárido para expandir sua área plantada, que hoje soma apenas 480 hectares.

O foco da expansão está no Norte de Minas. Segundo o secretário de Agricultura, Thales Fernandes, as altas temperaturas e a baixa umidade da região, aliadas a sistemas de irrigação, criam um ambiente promissor. "Uma das estratégias é o sistema agroflorestal, consorciando o cacau com plantações de banana, que garantem o sombreamento e a umidade necessários para o desenvolvimento inicial da planta", explicou o secretário.

Ciência a pleno sol

A grande virada tecnológica deve ocorrer a partir de abril de 2026, quando a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) inicia o plantio de áreas experimentais nos campos de Mocambinho e Gorutuba. O diferencial mineiro será testar o cultivo do cacau sob condições não tradicionais.

"Nosso objetivo é testar o cultivo a pleno sol e com proteção solar parcial, comparando com o consórcio com bananeiras. Queremos entender se é viável produzir no semiárido sem a sombra total, que é o padrão histórico da cultura", destaca Wlly Dias, pesquisadora e coordenadora do projeto na Epamig.

Além das pesquisas próprias, o estado integra agora o Centro Tecnológico de Cacau e Cultura de Regiões não Tradicionais, em parceria com as universidades federais de Viçosa (UFV) e Lavras (UFLA), unindo forças acadêmicas para acelerar a curva de aprendizado da lavoura em solo mineiro.

• Diego Vargas/Seapa-MG
• Diego Vargas/Seapa-MG

Impacto social e econômico

Para a Emater-MG, o cacau já deixou de ser uma promessa para se tornar realidade estatística. Pela primeira vez, a fruta entrou no levantamento oficial de safras do estado devido ao seu crescimento expressivo. O impacto vai além das sacas colhidas:

  • Geração de Empregos: Cada hectare de cacau gera dois empregos diretos e quatro indiretos.

  • Polo Produtor: O município de Jaíba lidera com folga, concentrando 53,3% da produção estadual (256 hectares), seguido por Janaúba, Bandeira e Matias Cardoso.

Região produz primeiro chocalate

Pesquisadores da Fazenda Experimental da Unimontes, em Janaúba, fabricaram o primeiro chocolate feito exclusivamente com amêndoas cultivadas na região. O experimento utiliza o mesmo genótipo de planta que já está no campo, sob os cuidados de produtores assistidos pelo Programa Agro+Verde Cacau.

Para a professora e pesquisadora Maristella Martinelli, doutora em Ciências de Alimentos, o protótipo é a coroação de mais de uma década de estudos. "O objetivo final sempre foi produzir o chocolate, o principal produto da amêndoa. Agora, estamos estruturando o laboratório com equipamentos específicos para realizar avaliações de qualidade e testes sensoriais", explicou.

Do campo para o mundo

O mercado mineiro de cacau e derivados já movimenta cifras relevantes. Segundo a assessora técnica Manoela Teixeira, o estado exportou 7 mil toneladas de produtos (incluindo chocolates e manteiga de cacau) em 2025, gerando US$ 64,9 milhões.

O desafio agora é verticalizar a produção: produzir a matéria-prima em solo mineiro para abastecer a robusta indústria de chocolates do estado, reduzindo a dependência de insumos vindos do Pará e da Bahia, atuais líderes do setor.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde