Licor de pequi e cachaça com frutas do cerrado viram atração na 35ª Expocachaça em BH
Marcas apostam em inovação, menor teor alcoólico e sabores nostálgicos para surpreender o público e conquistar novos paladares no evento

A criatividade e a busca por produtos autênticos surpreendem os visitantes da 35ª Expocachaça, realizada em Belo Horizonte. Entre as novidades que prometem conquistar os paladares mais exigentes, e até os mais céticos, os licores e bebidas mistas com frutos do cerrado ganham destaque, combinando técnicas exclusivas e ingredientes regionais que transformam a experiência de degustação.
Relíquia 33: a inovação do licor de pequi cristalino chega de Curvelo
Um dos grandes lançamentos da feira é a marca Relíquia 33, idealizada pelos sócios Henrique de Matos, Marco Trindade e Helder Corrêa. Com laboratório sediado em Curvelo, na Região Central de Minas Gerais, a empresa escolheu o evento para fazer sua estreia oficial no mercado com uma aposta ousada: o licor de pequi cristalino.

Diferente das versões tradicionais da fruta típica do cerrado, o produto chama a atenção pela transparência e por um perfil sensorial surpreendente, capaz de agradar até mesmo quem rejeita o pequi in natura.
À Itatiaia, o sócio Henrique de Matos destacou o cuidado no desenvolvimento da bebida: "Nós estamos com o lançamento oficial da Relíquia 33 aqui na Expocachaça. Temos esse licor de pequi premium, extra fino, que você não encontra em outro local. Foram anos de experimentos para chegar a essa qualidade. É um produto de primeira linha, feito com muito carinho. O segredo da transparência a gente prefere manter guardado, mas o resultado é um licor único", revelou Henrique.

Curiosamente, o apelo do produto tem ultrapassado as barreiras do gosto pessoal pelo fruto: "Eu sempre pergunto para o visitante: 'Você gosta de pequi?'. Quando respondem que detestam, eu digo que quem detesta pequi costuma amar o nosso licor. Pessoas que não gostam nem do cheiro do fruto provam e se surpreendem, porque o licor é totalmente diferente. Todas as pessoas que passaram pelo nosso estande e experimentaram deram 100% de aprovação", comemorou o empresário.
Além do licor de pequi, a Relíquia 33, que passou por dois anos de estruturação antes de ir a mercado, traz em seu portfólio miniaturas, o tradicional doce de pequi, licor de coco com cachaça e o licor de doce de leite. A marca já planeja uma expansão nacional, respaldada por campanhas com embaixadores de alcance em todo o país.

Sabinosa: frutos regionais em bebida mista mais leve e nostálgica
A aposta nos sabores típicos e na redução do teor alcoólico é a estratégia da Cachaça Sabinosa, de Salinas. Atento às novas preferências de consumo, o produtor Flaviano Cruz levou para o estande da marca uma linha de bebidas alcoólicas mistas que resgatam frutas emblemáticas como o umbu e o tamarindo.

Com teor alcoólico de 22%, bem abaixo da cachaça tradicional, a proposta busca oferecer uma bebida mais macia, adocicada e acessível para quem prefere menor graduação de álcool. "Entramos nesse novo mercado com a bebida alcoólica mista, que tem o teor alcoólico mais baixo, de somente 22%. Temos nos sabores de tamarindo, umbu e vamos lançar agora o cajá. É uma visão que estou tendo de que o público vem diminuindo a quantidade de álcool", explicou Flaviano Cruz.
O produtor pontua ainda a conexão afetiva que os sabores do cerrado e das frutas regionais provocam nos visitantes: "Lançamos essa bebida mais macia, adocicada e com sabor de fruta que lembra o cheirinho da infância, daquele tempo em que a gente era pequeno e subia nos pés de fruta para catar. O pessoal está gostando muito", contou o produtor.
Meia Lua: contraste do cítrico com o doce de leite mineiro
A tendência das combinações criativas e cremosas também se destaca na Meia Lua Destilaria, de Salinas. Após o sucesso do licor de doce de leite lançado na edição anterior, a empresa apresenta uma mistura audaciosa para o público na feira de 2026.
Jovino Ferrari Jr., sócio da destilaria, detalhou a novidade: "Lançamos no ano passado o licor de doce de leite com uma base superconcentrada de 40% de doce. Este ano, a novidade na feira é o lançamento do doce de leite com maracujá. Você tem aí a doçura do doce de leite combinada ao toque cítrico e ao azedinho do maracujá. É sensacional, vale muito a pena experimentar", ressaltou Jovino.

As inovações em licores e bebidas mistas mostram que a Expocachaça vai além do destilado puro, consolidando-se como uma vitrine de tendências que unem o conhecimento técnico à riqueza da biodiversidade e da gastronomia mineira.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



