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Chuvas paralisam colheita, mas estimulam florada para próxima safra no Cerrado Mineiro

Precipitações registradas em meados de setembro interromperam o recolhimento do café de chão e anteciparam a florada nas lavouras; Cooperativa reforça a necessidade de manejo fitossanitário preventivo

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Chuvas paralisam colheita de café, mas estimulam florada no Cerrado Mineiro
Imagem ilustrativa de café no Vale do Jequitinhonha • Giullia Gurgel/ Itatiaia

As chuvas acumuladas entre os dias 10 e 16 de setembro trouxeram reflexos imediatos para o ritmo dos trabalhos e o planejamento agronômico na área de atuação da Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer). A elevação da umidade do solo paralisou o recolhimento do café de chão na maioria das propriedades. Com a safra 2026 caminhando para o encerramento, os trabalhos atingiram 99% do projetado, com 91% da produção total beneficiada.

Segundo a equipe técnica da cooperativa, o café de chão representa cerca de 30% do volume total desta safra, dos quais 81% já foram recolhidos. O rendimento médio geral mantém-se positivo, em 455 litros por saca de 60 kg, figurando entre os melhores desempenhos das últimas safras no Cerrado Mineiro.

Avanço da florada e alerta fitossanitário

Se por um lado a umidade freou a colheita residual, por outro estimulou a abertura expressiva de uma nova florada em diversas áreas. Diante da antecipação do ciclo, a Expocacer orienta os cafeicultores a ajustarem o planejamento agronômico, antecipando as práticas de proteção pré e pós-florada de acordo com as especificidades de cada lavoura.

Entretanto, o período também foi marcado por instabilidades severas. Temporal acompanhado de granizo de intensidade variável e ventos fortes atingiu cafezais jovens, inclusive de primeira safra, e lavouras antigas em municípios como Patos de Minas, Perdizes, Serra do Salitre e Araxá. O fenômeno causou estragos em folhas, ramos, flores, botões e frutos.

Além dos prejuízos diretos, as lesões na estrutura das plantas abrem portas para o ataque de patógenos, elevando o risco de doenças como phoma e bacterioses. A recomendação da cooperativa é que os produtores façam uma avaliação individualizada das áreas atingidas para a rápida aplicação de pulverizações preventivas com fungicidas protetores e continuidade do manejo fitossanitário.

Cuidados com a nutrição e previsão do tempo

A Expocacer ressalta que o momento exige prioridade em tratamentos de solo e nutrição vegetal, incluindo a aplicação de calcário, gesso e compostos orgânicos, além do controle de plantas daninhas. Nas áreas irrigadas, a recomendação é manter o planejamento da fertirrigação; nas lavouras de sequeiro, o início das adubações deve acompanhar a consolidação das condições climáticas e do desenvolvimento foliar.

Entre 10 e 16 de setembro, os maiores acumulados pluviométricos foram registrados em Monte Carmelo (44,5 mm), Araxá (40,5 mm), Patrocínio (34,3 mm) e Serra do Salitre (30,2 mm).

Para os próximos dias, a previsão indica redução significativa nas chuvas, com volumes baixos e mal distribuídos, estimando-se acumulados de 1,8 mm em Araxá e 1,4 mm em Serra do Salitre, acompanhados da elevação das temperaturas, que podem atingir 34°C. O cenário exige acompanhamento constante dos boletins meteorológicos e atenção redobrada às lavouras feridas pelo granizo.

Com faturamento superior a R$ 3 bilhões em 2025 e uma base de mais de 800 produtores cooperados, a Expocacer projeta uma produção de 2,8 milhões de sacas de café arábica em sua área de abrangência para 2026.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.

 

 

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