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Lula e agro: segurança alimentar em jogo 

Preços da soja, carne e do milho despencam no mercado internacional 

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Brasil não pode perder a dianteira entre os 3 maiores produtores agrícolas do mundo
Brasil não pode perder a dianteira entre os 3 maiores produtores agrícolas do mundo  • Reprodução / Freepik

As incertezas no mercado do agronegócio aqui e lá fora, somando-se ao atraso do Ministério da Agricultura que ainda não conseguiu divulgar os números do Plano Safra 22/23, vão dominar os últimos dias do mês de maio, porque normalmente no dia primeiro de junho, os bancos já começam a liberar os financiamentos para o homem do campo.

É o tempo necessário para que os agropecuaristas que dependem da grana dos bancos possam preparar a terra, comprar adubos e fertilizantes para o plantio da nova safra.

Acrescente-se a isso, a insegurança do produtor com os preços do milho, soja e das carnes nos mercados interno e internacional.

Os valores da saca de milho, nesse momento, não cobrem nem o custo de produção e os negócios, o momento, tem sido feitos em pequena escala. Uma saca de milho, que chegou a valer perto de 100 reais, hoje custa 45 reais em algumas regiões.

A soja se aproximava de 200 reais a saca, e na média de hoje fica nos 120.

O grande problema do produtor rural, é que uma boa parte, não trabalha acompanhando a B3, não acredita no mercado futuro, não fixa ou trava o preço de um percentual a ser colhido que garanta, pelo menos, o pagamento dos custos de produção.

De repente vem uma reviravolta, que ninguém esperava, provocada pela pandemia e o conflito Ucrânia x Russia e o prejuízo é incalculável para todos aqueles que foram apanhados de surpresa, porque não havia previsão nesse sentido.

Não tenham dúvidas que muitos produtores estão totalmente encurralados pelos bancos, porque o financiamento das lavouras vence agora e se não for pago, perde-se o direito de fazer novos investimentos.

Os experientes e a maioria dos médios e grandes produtores sempre fixam preços de parte da produção, antecipadamente.

E quem fixou ou travou os preços, hoje está recebendo os valores correspondentes na entrega da soja ou do milho nos armazéns, independentemente do preço do dia.

Vários produtores estão recendo soja a 140, 150 reais a saca, e o preço do dia é 120 reais. Tem produtor recebendo 70 reais na saca de milho, quando muitos vendem por 50, 45 ou até 40 reais.

A carne bovina não foge à regra. O boi China chegou a 360 reais a arroba e no mercado interno até 350.

Em São Paulo onde a arroba é referência, o preço fechou na sexta-feira em 242 reais.

Quem acompanhou o mercado futuro e fixou preço na hora certa, entrega a arroba a 300 reais, ainda hoje.

O consumidor está começando a lucrar nessa parada. A carne está tendo quedas reais, mas precisa ficar um pouco mais barata para o povo.

E como fica o pecuarista nos próximos 2 anos?

Comprar bezerros para confinamento ou engordar o boi a pasto ainda promete bons lucros partir de agora, porque os custos de produção caíram muito. Na contramão, vem o milho e a soja, que no momento, não tem preço final para compensar os investimentos com a produção.

Independentemente das incertezas, o agro não pode e nem vai parar porque a segurança alimentar está nas mãos de todos os produtores. Além disso o Brasil tem a responsabilidade de alimentar mais de um bilhão de pessoas pelo mundo afora.

Se o Brasil parar a fome aumenta. Barriga vazia é sinômino de guerra. Comida na mesa é paz.

Por isso, também é muito importante que o governo e os produtores assumam suas responsabilidades com o agronegócio, deixando a ideologia de lado.

O mercado é frio e insensível! Segue suas regras sem olhar cor, sexo ou preferência política ou de qual país você é! E o Brasil não pode perder a dianteira entre os 3 maiores produtores agrícolas do mundo e a cada dia oferecer melhores condições alimentares para nós, consumidores.

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Produtor rural no município de Bambuí, em Minas Gerais, foi repórter esportivo por 18 anos na Itatiaia e, por 17 anos, atuou como Diretor de Comunicação e Gerente de Futebol no Cruzeiro Esporte Clube. Escreve diariamente sobre agronegócio e economia no campo.