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Exportações brasileiras de ovos crescem 24% em abril com demanda recorde do Chile

Após registrar primeiro caso de gripe aviária em granja comercial, o Chile recorre ao mercado brasileiro e puxa a recuperação do setor em abril

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Preço do ovo cai em abril e mercado entra em alerta após fim da Quaresma
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Após retração, as exportações brasileiras de ovos voltaram a registrar alta em abril. O movimento de recuperação foi o primeiro registro de gripe aviária em granjas comerciais no Chile, o que levou o país vizinho a recorrer massivamente ao mercado brasileiro.

De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) analisados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o Brasil embarcou um total de 2,31 mil toneladas de ovos (considerando produtos in natura e processados) no último mês. O volume representa um salto de 24% em relação a março.

'Fator Chile' e a supremacia do ovo in natura

O grande destaque do período foi a mudança drástica no fluxo comercial para o Chile. Com o setor produtivo local abalado pela enfermidade aviária, os chilenos importaram um volume recorde da série histórica da Secex.

O Chile consolidou sua dominância ao absorver 84% de todos os embarques brasileiros de ovos in natura, o que resultou na exportação de 1,64 mil toneladas dessa categoria e em um avanço expressivo de 53% frente ao mês anterior. Em contrapartida, o segmento de ovos processados seguiu o caminho oposto e registrou retração, somando cerca de 668 toneladas, uma queda de 16% na comparação com março.

Apesar do otimismo mensal, o setor ainda trabalha para recuperar os patamares do ano passado; o volume total de abril de 2026 ainda é 47% inferior ao registrado no mesmo mês de 2025.

Brasil como 'porto seguro' sanitário

Para os pesquisadores do Cepea, o desempenho de abril reforça a posição do Brasil como um fornecedor estratégico e confiável em momentos de crise global de sanidade animal. O fenômeno atual repete o que foi observado em 2025, quando os Estados Unidos também elevaram as importações brasileiras devido a surtos internos de gripe aviária.

"Como o Brasil sustenta o status de livre da doença, mantém um alto potencial para atender à demanda externa", afirmam os analistas em nota. A manutenção deste status sanitário é vista como o principal diferencial competitivo do agronegócio brasileiro, garantindo que o país atue como uma espécie de "reserva de segurança" para o suprimento global de proteína avícola.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde