Exportação de café cresce em setembro no Brasil, mas queda de preços reduz faturamento
País embarcou 3,89 milhões de sacas impulsionado pela forte retomada das compras dos EUA; no entanto, menor qualidade do arábica, avanço do conilon e retração nas cotações internacionais reduziram a receita mensal em 7,1%

As exportações brasileiras de café registraram alta no volume negociado em setembro de 2026, somando 3,894 milhões de sacas de 60 kg, um avanço de 3,1% em relação aos 3,778 milhões aferidos no mesmo mês de 2025. O aumento na quantidade embarcada, no entanto, não se refletiu em ganhos financeiros: a receita cambial do mês recuou 7,1%, somando US$ 1,282 bilhão.
Segundo o balanço do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), a retração no faturamento, mesmo com maior fluxo de mercadoria saindo dos portos, é explicada por uma combinação de fatores de mercado e condições da safra.
Desempenho por países de destino
No acumulado de janeiro a setembro de 2026, a distribuição dos embarques entre os maiores compradores globais ficou estruturada da seguinte forma:
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Estados Unidos: retomaram a liderança do mercado global comprando 3,805 milhões de sacas (-12,8% em relação a 2025), representatividade de 13,1% do total exportado.
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Alemanha: 3,307 milhões de sacas (-11,4%), respondendo por 11,4% das compras.
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Itália: 2,597 milhões de sacas — um crescimento significativo de 11,6% na comparação anual.
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Bélgica: 2,463 milhões de sacas, registrando forte avanço de 44,5%.
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Japão: 1,451 milhão de sacas (-23,3%).
Fatores para a queda na receita
Entre os principais motivos apontados pelo setor para a queda na arrecadação financeira, estão a redução das cotações da commodity no cenário internacional e os impactos das chuvas de meio de ano sobre os primeiros lotes colhidos de café arábica, o que comprometeu a qualidade e reduziu o valor médio de venda por saca.
Além disso, o avanço do café canéfora (conilon/robusta) no mix de exportação, cujas vendas cresceram 68,3% no ano, somando 5,162 milhões de sacas, puxou o preço médio ponderado para baixo, já que a espécie possui preço historicamente inferior ao arábica.
Apesar do recuo na receita acumulada do ano civil (US$ 10,113 bilhões, queda de 8,6%), o início do ano-safra 2026/27 (período de julho a setembro) aponta recuperação: nos primeiros três meses do ciclo atual, o Brasil embarcou 11,210 milhões de sacas (+15,5%), gerando US$ 3,561 bilhões em receita (+0,8%).
Logisticamente, o Porto de Santos (SP) manteve a liderança no escoamento, sendo responsável por 70,7% de todas as sacas enviadas para o exterior no ano.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



