Itatiaia

Exportação de café cresce em setembro no Brasil, mas queda de preços reduz faturamento

País embarcou 3,89 milhões de sacas impulsionado pela forte retomada das compras dos EUA; no entanto, menor qualidade do arábica, avanço do conilon e retração nas cotações internacionais reduziram a receita mensal em 7,1%

Por
Com fim da colheita, foco do café vai para a safra 2027/28 e adubação, diz Cepea
Giullia Gurgel/ Itatiaia

As exportações brasileiras de café registraram alta no volume negociado em setembro de 2026, somando 3,894 milhões de sacas de 60 kg, um avanço de 3,1% em relação aos 3,778 milhões aferidos no mesmo mês de 2025. O aumento na quantidade embarcada, no entanto, não se refletiu em ganhos financeiros: a receita cambial do mês recuou 7,1%, somando US$ 1,282 bilhão.

Segundo o balanço do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), a retração no faturamento, mesmo com maior fluxo de mercadoria saindo dos portos, é explicada por uma combinação de fatores de mercado e condições da safra.

Desempenho por países de destino

No acumulado de janeiro a setembro de 2026, a distribuição dos embarques entre os maiores compradores globais ficou estruturada da seguinte forma:

  1. Estados Unidos: retomaram a liderança do mercado global comprando 3,805 milhões de sacas (-12,8% em relação a 2025), representatividade de 13,1% do total exportado.

  2. Alemanha: 3,307 milhões de sacas (-11,4%), respondendo por 11,4% das compras.

  3. Itália:  2,597 milhões de sacas — um crescimento significativo de 11,6% na comparação anual.

  4. Bélgica: 2,463 milhões de sacas, registrando forte avanço de 44,5%.

  5. Japão: 1,451 milhão de sacas (-23,3%).

Fatores para a queda na receita

Entre os principais motivos apontados pelo setor para a queda na arrecadação financeira, estão a redução das cotações da commodity no cenário internacional e os impactos das chuvas de meio de ano sobre os primeiros lotes colhidos de café arábica, o que comprometeu a qualidade e reduziu o valor médio de venda por saca.

Além disso, o avanço do café canéfora (conilon/robusta) no mix de exportação, cujas vendas cresceram 68,3% no ano, somando 5,162 milhões de sacas, puxou o preço médio ponderado para baixo, já que a espécie possui preço historicamente inferior ao arábica.

Apesar do recuo na receita acumulada do ano civil (US$ 10,113 bilhões, queda de 8,6%), o início do ano-safra 2026/27 (período de julho a setembro) aponta recuperação: nos primeiros três meses do ciclo atual, o Brasil embarcou 11,210 milhões de sacas (+15,5%), gerando US$ 3,561 bilhões em receita (+0,8%).

Logisticamente, o Porto de Santos (SP) manteve a liderança no escoamento, sendo responsável por 70,7% de todas as sacas enviadas para o exterior no ano.

Por

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.

 

 

Belo Horizonte