O azeite gaúcho Estância das Oliveiras foi a grande estrela do Brasil no TerraOlivo 2025, Concurso Mundial do Mediterrâneo, conhecido também como um “Oscar” do azeite. Com sete produtos, a
A Estância das Oliveiras é uma fazenda 100% familiar, produtora de azeite no município de Viamão, a 28 quilômetros da capital Porto Alegre. Só neste ano, a família Goelzer acumula 88 medalhas nos mais renomados e reconhecidos Concursos Mundiais de Azeites.
Conheça a história
A Estância das Oliveiras começou pela indignação do fundador, Lucídio Goelzer. Ele trabalhou por muito tempo no comércio exterior e nas viagens, experimentou azeites maravilhosos e ao voltar ao Brasil sentia que faltava a qualidade nos produtos do Brasil.
Segundo o filho e diretor da Estância, Rafael Goelzer, o pai transformou a indignação em ação.
“Ele chegou: ‘Olha, eu vou parar de reclamar e eu vou produzir o meu próprio azeite’. E a ideia inicial não era ter um produto comercialmente, era de fato produzir para nossa família, o azeite de oliva. E na época, ele começou a estudar sobre a cultura e começou a visitar em cada um dos países que ele ia, os lagares [máquina onde é feita a extração das azeitonas]”, contou o diretor à Itatiaia.
Por volta de 2004, após estudar e analisar, seu Lucídio viu grande potencial na região de sua fazenda em Viamão, para se tornar uma unidade de pesquisa da olivicultura brasileira.
Fazenda Estância das Oliveiras, em Viamão (RS)
Na época, segundo Rafael, a Embrapa estava lançando o projeto nacionalmente para colocar 15 unidades de pesquisa no Brasil sobre a cultura. Mas a região da família não estava no mapa.
Após insistência e persistência de Lucídio, a família conseguiu colocar uma unidade de pesquisa na região.
“Na época eles colocaram cerca de 35 árvores, só que é muito pouca quantidade isso para produzir azeite. Meu pai foi e colocou mais mil árvores de investimento próprio, no risco total. Cinco anos depois fomos a melhor unidade de pesquisa”, contou Rafael.
Início da produção de azeite
Com a conquista e comprovação da região propícia para a olivicultura, a família começou a produção de azeite.
André Goelzer, mestre lagareiro da Estância das Oliveiras
O irmão de Rafael, André Goelzer se formou em mestre lagareiro na Itália, para manusear a máquina e instalação (o lagar) para fazer a extração das azeitonas.
A marca foi lançada oficialmente em 2019, mesmo ano que a família enviou o azeite para a primeira premiação.
“A gente começou a participar dos prêmios, porque o nosso objetivo com a participação não é acumular medalhas era avaliação. O nosso objetivo ainda é a avaliação de cada safra. É colocar o nosso azeite à prova sendo submetido na avaliação dos mais rigorosos paladares do planeta”, explicou Rafael.
Mesmo sem a intenção, o azeite Estância das Oliveiras foi premiado logo no primeiro ano. Desde então já são mais de 250 medalhas.
No Ranking Mundial de Azeites 2024, a Estância foi eleita a marca de azeite mais premiada do Brasil e a 5ª mais premiada do mundo.
Qual o segredo do sucesso?
À Itatiaia o diretor Rafael explicou o que faz um azeite ser premiado.
“O que faz com que um azeite conquiste tantas premiações é a complexidade desse azeite com zero defeito. A complexidade é quantas notas de sabor diferente esse azeite consegue atingir. Por exemplo, ervas frescas; amêndoa; picância; frutado que daí tem uma infinidade, maçã, kiwi, tomate, pêssego, até mirtilo”, explicou Goelzer.
Azeite Estância das Oliveiras
Sobre as notas de sabor, ele explica que nenhuma é inserida dentro desse azeite. “Essas notas de sabor vem através do terroir, uma composição de características naturais que compõem clima, temperatura, umidade, pluviosidade, solo, tipo de solo da região da fazenda”, explica.
“Azeites maravilhosos, eles atingem até sete notas de sabor. Os nossos azeites da Estância, nas competições internacionais, tem atingido de 12 a 14 notas de sabor. É de fato uma explosão de sabores dentro de uma única garrafa”, afirma Goelzer.
Segundo Rafael, a “explosão de sabores” vem de uma técnica de produção, que influencia desde o terroir mas também o trato cultural com a árvore, a colheita feita da azeitona de forma manual, o tempo entre a colheita e a extração do azeite.
Na Estância das Oliveiras, o tempo médio é de 2 a 3 horas entre colher a azeitona e já extrair e transformar em azeite.
Além disso, a família Goelzer conta com o cuidado no engarrafamento com embalagens de cerâmica, mais eficazes que vidro escuro que protege contra os três inimigos do azeite: luminosidade, alta temperatura, oxigênio e luz.
Embalagens de cerâmica do azeite Estância das Oliveiras
“A embalagem de cerâmica tem total isolamento térmico, ela protege da temperatura e da luminosidade, diferente de outras garrafas escuras que tem a entrada de alguma luminosidade, essa é zero luminosidade. E o terceiro: oxigênio, a gente tem dosador embutido dentro da garrafa que ele troca muito pouco oxigênio mesmo após a garrafa estar aberta pelo cliente”, afirma Rafael Goelzer.
Além da produção de azeite, a fazenda Estância das Oliveiras conta com experiências turísticas guiadas pela mãe de Rafael e esposa de Lucídio.