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Chuvas interrompem moagem de cana em SP e seguram oferta de etanol; preços sobem

Com ritmo de colheita desacelerado, usinas seguram vendas para forçar valorização e compras de hidratado disparam 81,5% no estado

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Chuvas interrompem moagem de cana em SP e seguram oferta de etanol; preços sobem
Canva/ Banco de imagem

As chuvas recentes que atingiram as principais regiões produtoras de cana-de-açúcar no estado de São Paulo provocaram interrupções pontuais na moagem. O reflexo no bolso foi imediato: com o ritmo das usinas temporariamente desacelerado, a oferta de biocombustível no mercado encolheu, elevando ligeiramente as cotações nas distribuidoras.

Segundo análises do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o cenário atual mostra vendedores mais firmes em suas pedidas de preços. As usinas paulistas têm evitado negociar grandes volumes a qualquer custo, limitando a participação no mercado spot (de entrega imediata) apenas quando há necessidade urgente de gerar caixa e honrar compromissos de curto prazo.

Distribuidoras correm para garantir estoque e negócios disparam

Do outro lado da mesa, as distribuidoras de combustíveis anteciparam o movimento de alta e adotaram uma postura mais agressiva. Temendo novos repasses, as compradoras fecharam contratos expressivos de etanóis anidro (misturado à gasolina) e hidratado (usado diretamente nas bombas) ao longo da última semana.

A forte movimentação causou um verdadeiro salto no volume de combustível comercializado no estado:

  • Etanol anidro: o volume de combustível negociado no mercado spot nas unidades paulistas mais que dobrou no comparativo semana contra semana.
  • Etanol hidratado: o comércio do combustível que vai direto para o tanque dos veículos registrou um crescimento expressivo de 81,5% no mesmo período.

O que esperar para os próximos meses da safra?

Apesar da leve alta causada pelo clima nos últimos dias, o mercado não trabalha com um cenário de desabastecimento ou de altas descontroladas a longo prazo.

De acordo com o Cepea, a expectativa geral entre os agentes do setor é de que a safra de cana-de-açúcar 2026/27 mantenha uma oferta global bastante elevada ao longo de todo o ano. Assim que o clima nas lavouras paulistas estabilizar e as colheitadeiras retomarem o ritmo normal de trabalho, a tendência é que a pressão sobre os preços do etanol volte a ceder.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde