Belo Horizonte
Itatiaia

Canola dobra área cultivada e lidera expansão da safra de inverno no RS

Enquanto oleaginosa avança mais de 100%, trigo, cevada e aveia perdem espaço diante dos custos elevados e do risco climático associado ao El Niño

Por
Plantação de canola
Fernando Dias/ Seapi RS

A canola é o grande destaque da Safra de Inverno 2026 no Rio Grande do Sul. Com expectativa de aumento de área de cultivo de 102,64%, a canola deverá florescer em 353.397 hectares, atingindo uma produção de 571.975 toneladas, 100,35% superior à safra passada (2025). A produtividade média esperada, de 1.619 kg/ha, está -2,09% abaixo da média passada, quando o Estado registrou 1.653 kg/ha. Os demais cultivos de inverno registram diminuição da área a ser cultivada.

As estimativas iniciais da Safra de Inverno no RS foram apresentadas pela Emater/RS-Ascar nesta segunda-feira (22). O levantamento foi realizado de 04 de maio a 16 de junho e abrangeu 99,89% municípios gaúchos produtores de canola, 99,82% dos municípios produtores de trigo, 99,14% dos produtores de aveia branca grãos e 94,88% dos produtores de cevada.

No geral, o Rio Grande do Sul deverá cultivar -10,76% de área, em comparação à safra anterior, totalizando com todos os grãos uma área de 1.575.634 hectares, com estimativa de produção de 3.733.118 toneladas, -22,15% se comparada à safra passada.

A expressiva redução da área cultivada em relação ao ciclo anterior ocorreu devido à uma combinação de fatores, como elevados custos de produção, baixa atratividade econômica dos cereais e aumento da percepção de risco produtivo, associado à previsão de atuação do fenômeno El Niño durante o inverno e a primavera. 

Como estratégia para posicionar as fases de florescimento e de enchimento de grãos antes da intensificação das precipitações primaveris, a semeadura é antecipada em parte das áreas não vinculadas a financiamentos ou cobertura securitária.

Culturas de Inverno

O trigo, que já foi o principal cereal cultivado no inverno gaúcho, prevê para esta safra atingir uma área de 814.220 hectares, -30,18% se comparada aos 1.166.163 hectares da safra passada. Essa diminuição de área se reflete na expectativa de redução da produção de trigo em -36,39%, passando de 3.458.083 toneladas na safra de 2025 para 2.199.554 toneladas na safra deste ano. A produtividade também apresenta expectativa de redução de -8,98%, passando de 2.968 kg/ha em 2025 para os estimados 2.701 kg/ha nesta safra.

Principal insumo das cervejarias, a cevada também apresenta queda de -36,52% na área a ser cultivada nesta safra, que é de 20.320 hectares. Na safra passada foram cultivados 32.010 hectares e obtida uma produção de 115.935 toneladas, -47,07% da esperada para este ano, que é de 61.369 toneladas. A produtividade da cevada também estima redução de -16,62%, passando de 3.622 kg/ha para 3.020 kg/ha nesta safra.

A aveia branca de grãos também apresenta estimativa de redução de área, produção e produtividade, em comparação com a safra de inverno de 2025. Serão cultivados 387.697 hectares (-1,38%). Com uma produtividade esperada de 2.322 kg/ha, -3,01% abaixo dos 2.394 kg/ha, a aveia branca deverá atingir uma produção de 900.221 toneladas, -3,79% se comparada com a safra anterior, quando foram produzidas 935.664 toneladas de aveia branca no RS.

Já a aveia preta será cultivada em 94.950 hectares no RS, sendo as regiões de Ijuí, Santa Maria e Soledade as principais produtoras, com respectivamente 32.400 hectares, 14.880 hectares e 10.785 hectares cultivados.

A carinata é a novidade nesse lançamento das estimativas iniciais da Safra de Inverno no Rio Grande do Sul. A oleaginosa pertence à família da canola e sua produção é voltada principalmente para a produção de combustível sustentável de aviação (SAF). Para esta safra, a expectativa de cultivo é de 12.365 hectares, em especial nas regiões de Santa Rosa (2.679 hectares), Ijuí (2.515 hectares) e Bagé (2.500 hectares).

Confirmação de El Niño

O agrometeorologista da Seapi, Flávio Varone, apresentou os prognósticos climáticos para os próximos períodos, antecipando que o inverno terá temperatura e precipitações acima da média, confirmando a expectativa de ocorrência de El Niño, que deverá se acentuar na primavera. 

“Isso se refletirá em desafios no final de ciclo da Safra de Inverno, já que o excesso de chuvas prejudica a qualidade do grão e atrapalha a colheita”, ressaltou Varone. Ele antecipou ainda que o excesso de umidade no solo pode comprometer o início da safra de verão, atrasando a semeadura.

Por

*Giulia Di Napoli colabora com reportagens para o portal da Itatiaia. Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.