Brasil ultrapassa 44 mil cervejas registradas e vê explosão de opções sem glúten
Anuário do MAPA revela que o país atingiu recorde de 1.954 indústrias produtoras; segmento voltado à saudabilidade cresceu mais de 400%

O comportamento do consumidor de cerveja no Brasil passou por uma grande transformação, com forte inclinação para produtos de nicho e maior valor agregado. De acordo com o Anuário da Cerveja 2026, publicado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o país produziu mais de 15 bilhões de litros da bebida e ultrapassou a impressionante marca de 44.212 cervejas registradas — uma alta de 2,4% em relação ao ano anterior.
O portfólio total disponível no país, considerando as diferentes variedades e marcas comerciais, já soma 56.170 produtos. O relatório do Mapa acende um holofote sobre a consolidação de duas grandes tendências de consumo no mercado nacional:
- Puro Malte: deixou de ser nicho e já responde por quase um terço do mercado nacional, abocanhando 29,2% de todo o volume produzido no país.
- Sem Glúten: foi a grande surpresa do ano, registrando uma explosão de mais de 400% no volume produzido, impulsionada pela busca por saudabilidade e dietas restritivas.
São Paulo lidera fábricas; Santa Catarina em densidade
A cadeia produtiva nacional atingiu o maior número de cervejarias de sua história, com 1.954 estabelecimentos registrados espalhados por 794 municípios (14,3% das cidades brasileiras). O Sudeste se mantém como o coração produtor, concentrando 47,2% das indústrias (923 unidades).
O estado de São Paulo lidera o ranking com 452 cervejarias, e a capital paulista é a cidade com a maior concentração de fábricas do país (61 estabelecimentos).
No entanto, quando o assunto é densidade cervejeira — a proporção de fábricas por habitante —, o Sul domina. Santa Catarina tem a maior média nacional, registrando uma cervejaria para cada 32.625 habitantes, enquanto a média brasileira é de uma fábrica para cada 108.794 pessoas. Uma inovação desta edição do Anuário foi a parceria com a Embrapa Territorial, que permitiu mapear e espacializar essa distribuição regional com precisão.
- Produção de cerveja sem álcool cresce 536,9% em 2024 no Brasil
- Exportação de cerveja fatura US$ 204 milhões para o Brasil em 2024
Para Márcio Maciel, presidente-executivo do Sindicerv (Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja), os resultados coroam a resiliência do mercado. "Nos cenários desafiadores que enfrentamos, a cerveja provou que pode se reinventar e se adaptar. O brasileiro faz questão da cerveja em seus momentos de celebração e conexão", conclui.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde



