Conteúdos sobre o agro deverão integrar currículos das escolas

Projeto aprovado em 1º turno no Plenário da ALMG propõe inserção de conteúdos relevantes sobre a atividade agropecuária em Minas e no Brasil. Intenção é corrigir distorções e falta de cuidado das editoras

Brasil se destacado como um dos maiores produtores mundiais de grãos e carnes

Na clássica história da Chapeuzinho Vermelho, a floresta está completamente destruída, o Lobo Mau corre risco de extinção e a culpa do desmatamento é do homem do campo. A produtora rural Heloísa Sverzut, de Mato Grosso, foi uma das primeiras mães a denunciar a forma como alguns livros didáticos da escola das filhas gêmeas tratam a agropecuária no Brasil.

Distorções como as descritas acima têm sido recorrentes, tanto nos livros literários, quanto nos didáticos, a ponto de gerarem o movimento ‘De olho no Material Escolar’ que tem 20 mil seguidores no Instagram. Uma ferramenta importante para coletar novos relatos e exigir um trabalho de pesquisa mais criterioso dos autores e editoras.

Agora, o Plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), aprovou em Reunião Extraordinária da última quarta-feira (21/8/24), o Projeto de Lei 2.695/21, que prevê a abordagem, pelo sistema de ensino, na educação básica, de conteúdos relevantes sobre a atividade agropecuária em Minas e no Brasil.

De autoria do deputado Coronel Henrique (PL), o projeto foi aprovado pela Comissão de Agropecuária e Agroindústria. Para cumprir seu objetivo, o PL modifica o inciso IV, do artigo 3°, da Política Estadual de Desenvolvimento Agrícola, a Lei 11.405 de 1994. A nova redação do inciso tem, como um dos objetivos, a “eliminação de distorções que afetam o desempenho das funções socioeconômicas da agropecuária e a elaboração de materiais didáticos de qualidade sobre o tema no Estado, incluindo suas virtudes e vantagens históricas e atuais”.

Avanços foram conquistados graças aos esforços dos produtores rurais

Na justificativa do projeto, Coronel Henrique lembrou que, nos últimos dez anos, o Brasil tem-se destacado como um dos maiores produtores mundiais de grãos e carnes e chegou a consolidar a sua posição de potência exportadora nos mercados internacionais de soja, açúcar, produtos animais e frutas. Segundo ele, esses avanços foram conquistados com grandes esforços dos diversos setores do agronegócio, em especial dos produtores e pesquisadores, responsáveis pelo crescimento da produtividade.

“Infelizmente os conteúdos e os materiais didáticos utilizados na educação básica não têm sido atualizados e tratam o tema, na maioria das vezes, de forma negativa ou pejorativa (o agricultor é relatado como o “caipira ignorante”), criando uma imagem errônea do produtor rural e dos produtos brasileiros, com acusações de desrespeito ao meio ambiente, à legislação trabalhista ou às exigências de bem-estar dos animais”.

O deputado lembrou ainda que o trabalho do produtor rural também tem grande peso na economia do Estado. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, o PIB do agronegócio mineiro cresceu 5,12% no ano passado e representa 36% do PIB estadual. A agricultura familiar também tem papel relevante: o último Censo Agropecuário do IBGE mostrou que este segmento representa 73% dos estabelecimentos agropecuários do estado. A importância do trabalho dos produtores rurais para a população ficou evidente durante a pandemia da Covid-19. Enquanto muitos setores, principalmente nos centros urbanos, tiveram que reduzir o ritmo das atividades, a produção no meio rural não parou. O trabalho no campo garantiu o abastecimento em todo o estado, com oferta regular de alimentos nos supermercados, sacolões e centros de distribuição. O projeto segue agora para análise em 2º turno da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da ALMG.

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Maria Teresa Leal é jornalista, pós-graduada em Gestão Estratégica da Comunicação pela PUC Minas. Trabalhou nos jornais ‘Hoje em Dia’ e ‘O Tempo’ e foi analista de comunicação na Federação da Agricultura e Pecuária de MG.



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