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Embaixadores se rendem aos queijos artesanais mineiros durante evento na França; entenda

Ação faz parte da campanha para que o modo de fazer o QMA seja reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade

Produtores das regiões do Serro, Canastra e Cerrado participaram, essa semana, de uma ação na Embaixada do Brasil, em Paris, onde apresentaram queijos premiados em festivais nacionais e internacionais. Os embaixadores se deliciaram com as iguarias e foram presenteados com queijeiras de cerâmica feitas por artesãos do Vale do Jequitinhonha.

Ao chef de cozinha Henrique Gilberto, do Grupo Viela, coube mostrar a versatilidade do queijo mineiro na composição de pratos típicos da culinária mineira contemporânea. Pratos como batata baroa cremosa com ovo defumado e caldo caipira, peito de vitela com creme de alho poró e cogumelos e Gougères de queijo canastra com goiabada fizeram parte do menu, oferecido pelo Fartura, com patrocínio da Cemig, via Lei Estadual de Incentivo à Cultura.

A ação faz parte da campanha para que os Modos de Fazer o Queijo Minas Artesanal sejam reconhecidos como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

As articulações do Governo de Minas em torno do projeto com a Unesco começaram em setembro de 2022, durante o 4º Festival do Queijo Artesanal Mineiro, em Belo Horizonte. Posteriormente, entre o fim de novembro e o início de dezembro, o Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult), realizou a promoção dos Modos de Fazer o Queijo Minas Artesanal na 17ª Sessão do Comitê Intergovernamental para Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial da Unesco, em Rabat, no Marrocos. Em março de 2023, o dossiê de candidatura foi entregue ao secretário da Convenção do Patrimônio Imaterial da Unesco, Tim Curtis.

Atualmente, a candidatura se encontra em fase de análise por delegados da Unesco e o resultado deve ser divulgado no final do ano. “É um trabalho que a gente já vem fazendo há um bom tempo. Já tivemos uma missão em Marrocos. Também tivemos várias etapas desse pleito, que é o reconhecimento do modo de fazer o Queijo Minas Artesanal como Patrimônio Imaterial da Humanidade. Isso vai trazer ainda mais visibilidade, promoção e valorização para os nossos queijos artesanais”, afirma o presidente da Emater-MG.

O pedido de candidatura, entregue em março de 2023, está sendo analisado pela Unesco, que dará o parecer definitivo na 19ª Sessão do Comitê Intergovernamental da Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial, em dezembro, no Paraguai.

Participaram do encontro o vice-governador de Minas Gerais, Professor Mateus, o secretário de Estado de Cultura e Turismo, Leônidas de Oliveira, o presidente do Sebrae Minas e CDL-BH, Marcelo de Souza e Silva, os embaixadores Ricardo Neiva Tavares, atual embaixador do Brasil na França, e Paula Alves de Souza, delegada permanente do Brasil na Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Brasunesco).


“Quando você é de Minas Gerais, o queijo é parte da sua vida. Temos 30 tipos diferentes de queijo no nosso estado, e comemos 2,2% mais queijo do que qualquer outro brasileiro. Então, é parte de quem nós somos, e também é parte da nossa economia”, declarou o vice-governador, Professor Mateus.

Ele falou ainda sobre a importância e alegria de “ver famílias que costumavam trabalhar nas cidades voltando para suas fazendas, para resgatar as tradições dos seus bisavós, produzindo queijo para consumo próprio e para vender”, complementou o vice-governador.

Canastra levou de ‘Pedacin da Serra’ a ‘Capão Grande’

O gerente executivo da Associação dos Produtores de Queijo da Canastra (Aprocan) e secretário executivo da Associação Mineira do Queijo Artesanal (Amiqueijo), Higor Freitas, levou cinco queijos de diferentes produtores da região: Pedacin da Serra, Pingo do Mula, Roça da Cidade, Capela Velha e Capão Grande. Para ele, a divulgação do Queijo Minas Artesanal e da cozinha mineira é extremamente importante para atrair pessoas interessadas nos produtos, na história e na tradição do estado.

Serro levou quatro amostras de alguns de seus melhores produtos

Já Lindomar Santana dos Santos que, desde 1987 produz queijo em Sabinópolis, região do Serro, embarcou para Paris com quatro queijos na mala. Suas criações Santana, Só Toni, Canaã e Quilombo, todas já premiadas na França, chegam agora ao país não para competir, mas para encantar os paladares.“O queijo artesanal já faz parte da cozinha mineira. Buscamos o reconhecimento do nosso saber fazer para, assim, conseguirmos levar nosso produto a todos os países”, ressaltou.Queijo Minas Artesanal como patrimônio mundial

Se o reconhecimento da Unesco acontecer mesmo, as regiões mineiras produtoras de queijo artesanal se tornarão pontos de atenção ainda maior do público, impulsionando o turismo em níveis nacional e internacional e garantindo o desenvolvimento econômico e sociocultural dessas regiões.

A viagem também foi importante para uma série de visitas a queijarias e pontos de comercialização na França, referência mundial na produção de queijos artesanais. “Temos evoluído muito em relação à qualidade dos nossos queijos, mas em relação à comercialização ainda precisamos avançar na comercialização a gente ainda precisa avançar mais. Por isso, estamos fazendo, com os produtores, visitas a estabelecimentos que comercializam os diversos tipos de queijo aqui da França, inclusive queijos de outros países. Percebemos a evolução que eles têm no processo de comercialização. Estamos levando esse ensinamento”, explicou Otávio Maia.

(*) Com Agência Minas

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Maria Teresa Leal é jornalista, pós-graduada em Gestão Estratégica da Comunicação pela PUC Minas. Trabalhou nos jornais ‘Hoje em Dia’ e ‘O Tempo’ e foi analista de comunicação na Federação da Agricultura e Pecuária de MG.



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