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Megaleite atrai produtores rurais de vários países

Estrangeiros da América do Sul e até do Paquistão e do Sri-Lanka vieram conhecer nossa experiência com melhoramento genético e outras tecnologias

Gilda Maria, chefe do departamento estatístico do Ministério da Agricultura do Peru

Feira com mais atrações e eventos técnicos, público maior e maior volume de negociações, só poderia resultar numa maior presença de estrangeiros. Marcelo Cembranelli, gerente do Brazilian Girolando, projeto de internacionalização da raça Girolando, conta que, pelo menos, 150 produtores rurais de países como México, Peru, Venezuela, Guatemala, El Salvador, Panamá, Bolívia, Sri-Lanka e Paquistão passaram pelo Parque da Gameleira.

O Brazilian Girolando - com ajuda de associações parceiras - auxilia criadores de fora do Brasil a implantarem o sistema Girolando. Segundo Cembranelli a procura pela raça está muito grande lá fora. “Um dos nossos termômetros é a venda de sêmen. Somente no ano passado, foram comercializadas mais de 80 mil doses. Estamos bastante contentes com isso e já começamos a ter notícia de aumento da produtividade como, na Bolívia, na Guatemala e no Panamá, por exemplo”.

De acordo com o gerente, os estrangeiros vêm à Megaleite, principalmente, em busca da nossa tecnologia e do nosso know how em pecuária leiteira.

É o caso, por exemplo, da gerente de estatística agropecuária do Ministério da Agricultura do Peru, Gilda Maria Cardoso. Na Megaleite pela primeira vez, ela conta que veio ver de perto todo o arrojo genético da produção leiteira. “Espero aprender com a experiência brasileira, com os números, as quantidades e as técnicas de manejo e, claro, os dados estatísticos”.

Gilda contou que mora numa região alta, a 3800 metros acima do nível do mar e que eles já têm um gado adaptado a essa condição. Embora a produção de leite seja menor do que nas partes baixas do país. Podemos melhorá-lo geneticamente de forma que isso nos dê uma maior produção láctea. Temos muita tradição na pecuária leiteira e, principalmente na produção de queijos e iogurtes”, falou.

O pecuarista mexicano Christian Martinez também veio pela, primeira vez, à Megaleite. Ele disse que ficou “encantado” e aprendeu bastante sobre a genética Girolando e a importância de se fazer melhoramento genético com objetivos pré-definidos.

“Estou me sentindo nutrido de tantas informações. É claro que vou querer voltar. Está sendo muito, muito bom. Temos apenas dois ou três anos de trabalho. Somos um rancho e uma pequena start up. Então vou querer voltar outras vezes para aprender mais e mais. Aqui, também a gente pode fazer uns acordos e levar a genética para o nosso país. Infelizmente, no México, o produtor não tem todo o conhecimento adquirido pelos produtores daqui”.

Assim que a Megaleite acabar, tanto Gilda, quanto Christian irão integrar uma excursão que vai percorrer algumas fazendas do Triângulo Mineiro e de São Paulo. A ideia é ver de perto ações ou recomendações que tomaram conhecimento, apenas na teoria, durante a Megaleite.

Maria Teresa Leal é jornalista, pós-graduada em Gestão Estratégica da Comunicação pela PUC Minas. Trabalhou nos jornais ‘Hoje em Dia’ e ‘O Tempo’ e foi analista de comunicação na Federação da Agricultura e Pecuária de MG.