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Um terço das propriedades de café mineiras têm mais matas preservadas do que a lei exige

Pesquisadores estimam que 99% das 115 mil propriedades de café identificadas no estado não apresentam desmatamento significativo; 1/3 dos imóveis rurais possuem excedente de vegetação nativa

A UFMG, em parceria com o Governo do Estado, anunciou ontem (17), durante a Expocafé no Campo Experimental da EPAMIG em Três Pontas, o desenvolvimento de uma plataforma computacional batizada de SeloVerde MG. O recurso coloca o Estado na vanguarda das discussões sobre cumprimento da legislação nacional, rastreabilidade e critérios socioambientais para exportação de commodities agrícolas e revela dados animadores sobre a sustentabilidade da produção cafeeira de Minas Gerais.

Por meio de análises automáticas de conformidade socioambiental, incluindo dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR), Monitoramento Contínuo da Cobertura Vegetal do Instituto Estadual de Florestas – (IEF) e mapeamentos em alta resolução do parque cafeeiro mineiro, os pesquisadores estimaram que 99% das 115 mil propriedades produtoras de café identificadas não apresentam desmatamento significativo após 2008, importante marco temporal do Código Florestal de 2012. Além disso, cerca de 1/3 dos imóveis possuem excedente de vegetação nativa, totalizando aproximadamente 300 mil hectares preservados além do mínimo exigido por lei, o que possibilita acessar “mercados de pagamentos por serviços ambientais”.

As estimativas que abrangem todo o estado, inclusive os 1,13 milhões de hectares de café, podem ser consultadas gratuitamente na plataforma SeloVerde MG e credenciam o café mineiro para uma classificação regional de “produto livre de desmatamento”.

Nas esferas nacional e internacional a crescente pressão pela aquisição de “produtos livres de desmatamento” demanda soluções tecnológicas capazes de demonstrar de forma transparente o cumprimento da legislação florestal por milhões de produtores rurais. Ao disponibilizar um sistema público e gratuito, que aplica critérios científicos e abrange todo o parque cafeeiro, Minas Gerais sai na frente e reforça sua liderança na produção sustentável e rastreável de café no Brasil e no mundo.

Estado deverá produzir 27,5 milhões de sacas de café esse ano

Minas Gerais é o maior produtor e exportador de café do mundo. Em 2022, Minas Gerais exportou 28,5 milhões (SEAPA-MG) das 39,35 milhões de sacas exportadas pelo Brasil (Embrapa Café). Em relação à produção, as estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para 2023 são de que Minas Gerais produza 27,5 milhões de sacas de café, ficando responsável por cerca de 50% de toda a produção nacional, podendo chegar a 55 milhões de sacas.

Acordo de Cooperação

A plataforma mineira é resultado do acordo de cooperação assinado entre a UFMG e o IEF, que com apoio da Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Pecuária – SEAPA, possibilitou a aplicação de análises geoespaciais para informar a situação ambiental das propriedades mineiras produtoras de café. O acordo prevê ainda o desenvolvimento de análises automáticas para acelerar a validação do Cadastro Ambiental Rural (CAR), a implementação do Programa de Regularização Ambiental, e o monitoramento e a avaliação de ações de promoção da conservação e da restauração ambiental no estado. As instituições agora avançam para viabilizar o mapeamento de alta resolução de outros cultivos e atualizar o do parque cafeeiro nos próximos anos a partir de uma cooperação entre a UFMG e a SEAPA.

SeloVerde MG foi desenvolvido por pesquisadores do Centro de Sensoriamento Remoto da UFMG em parceria com o Centro de Inteligência Territorial e apoio do programa AL-INVEST Verde da União Europeia (UE), com objetivo de promover o crescimento sustentável na e geração de emprego na América Latina.

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