Entenda por que hotel cinco estrelas fechou durante alta temporada na Argentina

Empreendimento em San Juan suspendeu as atividades por ao menos duas semanas após registrar ocupação de apenas 20%

Del Bono Park, hotel 5 estrelas de San Juan, na Argentina, decidiu interromper suas atividades

O Del Bono Park, hotel cinco estrelas localizado em San Juan, suspendeu temporariamente suas atividades por pelo menos duas semanas em meio à baixa ocupação registrada durante a alta temporada de verão no país. A direção informou que o período será utilizado para manutenção e reformas, mas admitiu que a queda acentuada da demanda foi o fator determinante para a decisão.

Segundo a administração, o nível de reservas ficou em torno de 20%, patamar considerado inviável para os meses de janeiro e fevereiro. Diante desse cenário, o grupo decidiu centralizar a operação em outra unidade, reduzindo custos operacionais.

Um gerente do grupo hoteleiro afirmou que manter dois prédios em funcionamento com baixa taxa de ocupação não era sustentável.

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Impactos na operação

A suspensão das atividades teve efeitos imediatos. Cerca de 20% dos funcionários foi colocado em regime de licença, enquanto os demais foram realocados ou transferidos para outra unidade do grupo. Serviços de alimentação e áreas comuns também tiveram funcionamento interrompido durante o período.

Representantes da hotelaria avaliam que medidas como essa, mesmo quando apresentadas como temporárias, indicam um enfraquecimento da demanda turística tradicional, com visitantes priorizando estadas mais curtas e opções com melhor custo-benefício.

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Discurso oficial e realidade do setor

O fechamento ocorre em contraste com declarações recentes do secretário de Turismo e Ambiente da Argentina, Daniel Scioli, que tem divulgado avaliações positivas sobre a temporada de verão.

Segundo ele, o turismo interno estaria em expansão, com mais de 75% dos argentinos viajando no período e destinos registrando alto fluxo de visitantes.

Autoridades também apontam forte movimentação em rodovias, aeroportos e polos turísticos, além de relatos de disponibilidade limitada de hospedagem em algumas regiões.

Empresários do setor, no entanto, alertam que indicadores de fluxo não se traduzem necessariamente em rentabilidade, especialmente para a hotelaria formal de alto padrão, pressionada por custos operacionais elevados e pela preferência do público por alternativas mais econômicas.

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Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias Turismo e Emprego & Concursos.

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