Retiros de ayahuasca ganham força na Espanha em meio a brecha legal na Europa

Cerimônia É conduzida por curandeiro indígena da região amazônica em um hotel boutique na cidade de Barcelona; a ayahuasca é proibida na maior parte da Europa

Centro de retiro de ayahuasca

A ayahuasca — bebida psicoativa tradicionalmente usada por povos indígenas da América do Sul em contextos xamânicos — vem atraindo cada vez mais atenção no Ocidente como uma experiência de bem-estar e autoconhecimento. Embora seja proibida em grande parte da Europa devido à presença de DMT (dimetiltriptamina), substância com efeitos psicoativos intensos, Espanha e Portugal têm se destacado como exceções, criando uma espécie de “zona cinzenta” jurídica em relação ao uso.

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Cerimônias fora da Amazônia

De acordo com a reportagem do Euronews, em um hotel boutique em Barcelona, participantes se reúnem sob a condução de um curandeiro tradicional da região amazônica para sua primeira cerimônia de ayahuasca — um cenário similar ao que se encontra em retiros remotos no Peru ou no Brasil, mas agora adaptado ao contexto europeu.

O crescimento desses eventos está ligado a diversos fatores, como o aumento do interesse por terapias alternativas, maior visibilidade de psicodélicos em discussões públicas, expansão do turismo espiritual e desejo por experiências de bem-estar que fujam ao convencional.

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Espanha e Portugal: uma brecha legal

Na Espanha, a situação da ayahuasca não é definida por uma lei específica que autorize ou proíba explicitamente a bebida.

O que molda esse cenário são decisões judiciais ao longo dos anos, nas quais os tribunais costumam diferenciar o uso privado e sem fins comerciais de situações que envolvam tráfico, lucro, exposição pública ou risco à saúde coletiva.

Na prática, isso significa que cerimônias realizadas em ambientes privados, sem venda direta da substância e sem indícios de dano social, tendem a receber tratamento mais brando do sistema de Justiça, embora não exista garantia legal formal.

Em Portugal, a permissividade está ligada à descriminalização da posse de drogas para uso pessoal, adotada em 2001. A política portuguesa não legalizou as substâncias, mas retirou o caráter criminal do consumo individual, tratando o tema como uma questão de saúde pública, e não de polícia.

Nesses casos, usuários não são presos nem processados criminalmente, podendo ser encaminhados a acompanhamento médico ou social.

No entanto, essa situação é instável e pode ser revista a qualquer momento, dependendo de pressões políticas ou de eventos que gerem reação pública.

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Retiros adaptados ao público europeu

Segundo a reportagem, muitos centros de retiro que antes recebiam visitantes em locais remotos da América do Sul passaram a oferecer experiências na Europa, especialmente na Espanha e em Portugal. Organizadores afirmam que os fatores que atraem os participantes incluem:

  • Redução de custos de viagem
  • Menor distância e tempo de deslocamento
  • Comodidade cultural e linguística

Além disso, alguns retiros europeus combinam a experiência com outras práticas de bem-estar, como ioga, meditação e arteterapia, adaptando o formato às preferências dos participantes.

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Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias Turismo e Emprego & Concursos.

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