Por que a ansiedade faz você sofrer por problemas que ainda nem existem
O cérebro tenta prever perigos para protegê-lo, mas muitas vezes transforma as possibilidades em certezas e alimenta cenários que não são a realidade

Você envia uma mensagem e não recebe resposta. Em poucos minutos, já imagina que a outra pessoa está chateada. Surge uma dor de cabeça e a mente corre para diagnosticar uma doença grave. Um erro pequeno no trabalho parece sinal de que você será demitido. Nada disso aconteceu, mas seu corpo reage como se fosse real.
Esse mecanismo tem uma explicação. O cérebro humano foi programado para identificar ameaças e antecipar riscos e, durante milhares de anos, isso ajudou na sobrevivência. Hoje, porém, o mesmo sistema pode transformar situações comuns em fontes de ansiedade, criando preocupações muito maiores do que a realidade.
Em entrevista ao portal Times of India, a psicóloga clínica Divya Mohindroo afirma: “Seus pensamentos não são fatos. A incerteza é uma parte normal da vida. Geralmente, existem muitos resultados possíveis, não apenas o pior.”
Segundo a especialista, a mente tende a preencher lacunas com hipóteses negativas porque prefere errar pelo excesso de cautela a ser pega de surpresa.
Além disso, experiências passadas também influenciam esse processo. Pessoas que cresceram convivendo com rejeição, decepções ou instabilidade podem passar a interpretar a incerteza como um sinal de perigo.
Parece preparação, mas não é
O problema é que a catastrofização costuma se disfarçar de algo útil. Ela parece planejamento, como se imaginar todos os cenários ruins pudesse preparar você para enfrentá-los, mas, na prática, isso raramente acontece.
“Pensar demais se torna uma tentativa de reduzir a vulnerabilidade emocional”, explicou Mohindroo. O resultado, porém, costuma ser o oposto: mais desgaste, mais ansiedade e mais medo e nenhuma solução concreta.
Como sair do estado de ansiedade extrema
Quando perceber que está entrando numa espiral de ansiedade, um passo simples pode ajudar: dar um nome ao que está acontecendo. Reconhecer que sua mente pulou de uma situação pequena para uma conclusão extrema cria uma distância importante entre você e o pensamento.
Em vez de aceitar o cenário como verdade, você passa a observá-lo como uma possibilidade e isso ajuda a reduzir o poder dele sobre a mente.
Outro recurso útil é voltar a atenção para o corpo. A psicóloga recomenda ações simples, como apoiar os pés no chão, respirar lentamente, alongar os ombros ou segurar algo frio nas mãos. Esses gestos ajudam a enviar ao sistema nervoso a mensagem de que não há uma ameaça imediata.
Também vale fazer uma pergunta mais direta: “Isso está realmente acontecendo?”. Na maioria das vezes, a resposta é não. O corpo está reagindo a uma previsão criada pela mente, não a um perigo real.
Mohindroo sugere ainda algumas reflexões para momentos de ansiedade: “Só porque consigo imaginar algo não significa que seja provável que aconteça. Minha mente está tentando me proteger, não prever o futuro. A ansiedade é intensa, mas nem sempre é precisa.”
Existe outro detalhe que a ansiedade costuma esconder: sua própria capacidade de lidar com dificuldades. Quando estamos presos em pensamentos catastróficos, focamos apenas no que pode dar errado e esquecemos de tudo o que já superamos no passado.
Como lidar com o medo
O objetivo não é eliminar completamente os pensamentos de medo. Eles fazem parte da experiência humana. O desafio é perceber quando a mente deixou de considerar uma possibilidade e passou a tratá-la como certeza.
Como resume Mohindroo: “Os sentimentos, por mais intensos que sejam, são temporários. Você é capaz de lidar com muito mais do que sua ansiedade lhe diz.”
Já que imaginar algo e viver algo são experiências muito diferentes. E, muitas vezes, o maior perigo existe apenas nos cenários que a própria mente criou.
Jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atuou na Rádio UFMG Educativa e em empresas de marketing, com experiência em produção de conteúdo, SEO e redação Atualmente, escreve, em colaboração com a Itatiaia, nas editorias de entretenimento e variedades.



