O que seu gosto musical revela sobre você, segundo a Ciência?
Das lembranças da infância aos grupos de amizade, especialistas mostram como as preferências musicais ajudam a construir a identidade e influenciam emoções

A música faz parte da rotina de milhões de pessoas e vai muito além do entretenimento. Seja em momentos de alegria, tristeza, celebração ou reflexão, as canções acompanham experiências marcantes e ajudam a construir a forma como cada indivíduo enxerga a si mesmo e ao mundo.
Segundo especialistas ouvidos pelo site argentino Infobae, as preferências musicais podem revelar aspectos importantes da trajetória pessoal, funcionando como uma espécie de registro emocional que conecta lembranças, valores e sentimentos ao longo da vida.
Mais do que simples sons, as músicas se transformam em companheiras de jornada. Uma canção pode trazer à tona lembranças da infância, recordar um relacionamento importante ou resgatar momentos que pareciam esquecidos. Para os especialistas, esse vínculo acontece porque a música está profundamente conectada às experiências afetivas de cada pessoa.
Refúgio emocional
Em diferentes fases da vida, a música costuma funcionar como um espaço de acolhimento. Há quem encontre conforto em uma melodia durante períodos difíceis e quem recorra às canções para celebrar conquistas ou compartilhar emoções com outras pessoas.
O psicanalista Jorge Catelli explica que uma música pode provocar reações intensas tanto em momentos solitários quanto em grandes eventos coletivos. Segundo ele, isso acontece porque as canções despertam emoções, identificações e sentimentos de pertencimento que vão além da melodia em si.
Essa capacidade de tocar experiências pessoais faz com que determinadas músicas permaneçam presentes por décadas, acompanhando diferentes etapas da vida e servindo como marcos de memórias importantes.
A música na construção da identidade
Durante a adolescência, a influência da música costuma ser ainda mais evidente. Escolher um artista favorito, vestir roupas relacionadas a um determinado estilo musical ou compartilhar gostos semelhantes com amigos pode ajudar na formação da identidade e no fortalecimento dos laços sociais.
A psiquiatra e psicanalista Estela Allam destaca que as preferências musicais frequentemente se tornam ferramentas para a construção da individualidade. Segundo ela, os jovens utilizam a música para se diferenciar dos pais, criar vínculos com grupos de amigos e desenvolver uma narrativa própria sobre quem são.
Nesse contexto, bandas, cantores e gêneros musicais podem se transformar em símbolos de pertencimento, ajudando a aproximar pessoas com interesses e experiências semelhantes.
O que a música diz sobre uma pessoa
Embora os gostos musicais possam oferecer pistas sobre a história de alguém, os especialistas alertam que eles não são suficientes para definir a personalidade ou traçar perfis psicológicos precisos.
De acordo com Estela Allam, as escolhas musicais costumam estar ligadas a lembranças, experiências marcantes e processos de identificação construídos ao longo da vida. Uma música favorita pode estar associada a um amor, a uma conquista, a uma perda ou a qualquer acontecimento que tenha deixado uma marca emocional significativa.
A psicanalista Mirta Noemí Cohen reforça que as preferências musicais refletem apenas uma parte da identidade de uma pessoa. Segundo ela, gostar de determinado estilo musical não significa que alguém seja definido exclusivamente por esse gosto.
"Não há que confundir identidade com identificação", afirma Cohen. A especialista explica que uma pessoa pode se identificar emocionalmente com uma música por causa de uma lembrança específica e, ainda assim, preferir ouvir outros gêneros no dia a dia.
A música expressa o que as palavras não conseguem dizer
Em muitos casos, as canções conseguem traduzir emoções difíceis de explicar. Sentimentos como saudade, medo, esperança ou frustração podem encontrar na música uma forma de expressão mais acessível do que as próprias palavras.
Catelli destaca que a emoção provocada por uma música frequentemente surge antes mesmo da compreensão racional do motivo pelo qual ela causa impacto. Segundo ele, muitas das razões que nos emocionam permanecem em níveis inconscientes da mente.
Por isso, não é raro que uma melodia desperte lágrimas, arrepios ou sensações intensas sem que a pessoa consiga explicar exatamente a origem daquela reação.
Memórias
A relação entre música e memória é uma das mais fortes observadas pelos especialistas. Uma simples canção pode transportar alguém para momentos específicos da vida, revivendo sentimentos associados a lugares, pessoas e experiências.
Segundo Estela Allam, as músicas acabam integrando a narrativa pessoal de cada indivíduo, tornando-se parte da forma como ele conta sua própria história.
Os especialistas também lembram que a musicalidade acompanha o ser humano desde os primeiros meses de vida. As interações sonoras e rítmicas entre bebês e cuidadores representam algumas das experiências iniciais de comunicação e conexão emocional, influenciando a maneira como as pessoas se relacionam com a música ao longo dos anos.
Conexão
Além da dimensão individual, a música também desempenha um papel social importante. Ela reúne multidões em shows, aproxima desconhecidos e cria momentos de conexão que ultrapassam diferenças culturais, sociais e geracionais.
Para Mirta Noemí Cohen, as pessoas tendem a escolher músicas que dialogam com suas emoções, valores, memórias e grupos de referência. Ainda assim, essas preferências mudam conforme a vida avança.
"Quando mudamos como pessoas, muitas vezes mudam também nossos gostos musicais", conclui a especialista.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



