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O verdadeiro culpado da pressão alta pode não ser o sal; especialistas alertam

Baixos níveis de potássio no organismo podem ser os grandes vilões da pressão arterial

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Falta de nutrientes está associada ao aumento da pressão arterial
Falta de nutrientes está associada ao aumento da pressão arterial • Freepik

Quando o assunto é pressão alta, o primeiro pensamento que vem à mente é o consumo excessivo de sódio. Apontado com a causa da maioria dos casos de hipertensão, o sódio pode não ser o único fator envolvido no aumento da pressão arterial.

O organismo precisa de um equilíbrio sensível entre sódio, líquidos, vasos sanguíneos e outro nutriente muito importante: o potássio.

Ele ajuda a equilibrar os níveis de sódio no organismo, promovendo a eliminação do excesso pela urina.

Quando o corpo não possui uma reserva suficiente de potássio, o organismo tende a reter sódio em vez de perdê-lo, o que favorece o aumento da pressão arterial.

Por que o potássio afeta a pressão arterial?

O potássio tem um papel importante no equilíbrio do organismo e influencia diretamente no controle da pressão arterial. Além de participar da função muscular e da condução elétrica do coração, o mineral ajuda os rins a eliminar mais sódio pela urina.

Com menos sódio retido, o corpo acumula menos líquido e a circulação não é sobrecarregada. Por isso, especialistas apontam que focar apenas no consumo de sal pode não ser a solução para um problema que também depende da qualidade da alimentação.

Quando a ingestão de potássio é baixa, o organismo perde parte da capacidade de equilibrar os líquidos e os eletrólitos, de modo que o sódio tende a exercer maior impacto sobre o volume de sangue e a contração dos vasos sanguíneos.

Em pessoas com hipertensão, esse efeito costuma ser ainda maior, especialmente naqueles que possuem dietas pobres em frutas, verduras, legumes e leguminosas.

Segundo uma pesquisa publicada em 2025 pela Oxford University Press, aumentar o consumo ou a suplementação do potássio contribui para a redução da pressão arterial em pessoas hipertensas, com resultados mais expressivos justamente entre quem possuía pressões mais altas.

Por isso, o problema nem sempre está apenas no excesso de sódio isoladamente, mas no desequilíbrio entre sódio e potássio na alimentação.

Sinais que podem indicar baixo consumo de potássio

A deficiência de potássio raramente provoca sintomas claros no início, mas alguns hábitos alimentares funcionam como alerta de que algo está errado. O consumo excessivo de ultraprocessados, embutidos e fast food em dietas com pouca presença de alimentos frescos costumam favorecer o desequilíbrio do nutriente no organismo.

Entre os sinais mais comuns estão:

  • Baixo consumo de frutas como banana, laranja, melão e abacate;
  • Pouca ingestão de feijão, lentilha e outras leguminosas;
  • Verduras e legumes ausentes da maior parte das refeições;
  • Excesso de produtos industrializados ricos em sódio;
  • Preferência frequente por refeições prontas.

Nesses casos, a pressão alta pode persistir mesmo quando a pessoa acredita ter reduzido o sal da comida.

Confira também: Descubra quais são os 4 alimentos que podem fazer mal aos rins

Como equilibrar o consumo entre sódio e potássio?

O foco não deve ser apenas retirar o saleiro da mesa, mas reorganizar a alimentação para aumentar a presença de fontes naturais de potássio.

Essa mudança contribui diretamente para o funcionamento dos rins, além de ajudar no controle da retenção de líquidos e favorecer a saúde dos vasos sanguíneos.

Algumas estratégias simples incluem:

  • Incluir feijão, lentilha ou grão-de-bico na dieta;
  • Consumir frutas variadas diariamente;
  • Preencher metade do prato com legumes e verduras;
  • Reduzir o consumo de ultraprocessados;
  • Ler rótulos para identificar excesso de sódio;
  • Evitar suplementos de potássio sem orientação médica.

Vale destacar que é necessário ter cuidado na hora de incrementar a ingestão de potássio. Isso porque algumas pessoas não podem aumentar o consumo do nutriente livremente, sem respaldo médico.

Quem tem doença renal crônica ou utiliza medicamentos que alteram os eletrólitos, como alguns diuréticos e inibidores da ECA, precisa de acompanhamento profissional para evitar hipercalemia, condição caracterizada pelo excesso de potássio no sangue.

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Reduzir o sal continua importante?

Sim. O excesso de sódio segue sendo um dos principais fatores associados à hipertensão, à retenção de líquidos e à sobrecarga do sistema cardiovascular. A diferença é que hoje o entendimento sobre alimentação e pressão arterial vai além de um único nutriente.

Na prática, os melhores resultados costumam vir de um conjunto de hábitos: menos alimentos ultraprocessados, maior consumo de alimentos frescos, prática regular de atividade física, monitoramento da pressão arterial e acompanhamento médico. Esse equilíbrio tende a ser mais eficiente para a proteção dos rins e a prevenção de doenças à longo prazo.

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Jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atuou na Rádio UFMG Educativa e em empresas de marketing, com experiência em produção de conteúdo, SEO e redação Atualmente, escreve, em colaboração com a Itatiaia, nas editorias de entretenimento e variedades.