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O que acontece no seu corpo durante um jejum de 24 horas? Descubra se emagrece

Prática impulsiona uma série de respostas metabólicas que podem contribuir para a perda de peso

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Mãos segurando faca e garfo acima de um despertador em um prato sobre fundo azul.
Imagem meramente ilustrativa • Freepik

O jejum é uma das tradições mais antigas da humanidade. Ao longo da história, a prática da abstinência alimentar esteve associada à purificação, à disciplina espiritual e à renovação do corpo e da mente. Hoje, a ciência também passou a investigar os impactos fisiológicos do jejum.

E os resultados têm chamado a atenção. Estudos recentes indicam que um jejum de 24 horas pode desencadear uma série de respostas biológicas importantes, incluindo mudanças metabólicas, processos de reparo celular e alterações no sistema imunológico. Esse processo, inclusive, pode levar ao emagrecimento.

Entenda o que o jejum causa no seu corpo hora por hora

O jejum desencadeia uma série de processos no seu organismo, que influenciam todo o corpo, desde o sistema digestivo à imunidade.

Mesmo sem a alimentação, o corpo continua funcionando e passando por mudanças complexas para ajustar os órgãos à ausência de sua fonte de energia.

As primeiras quatro horas

Nas horas iniciais de jejum, os hormônios da fome, como a grelina, são produzidos em massa, o que confere a sensação de estar faminto, mesmo que o estoque de energia ainda esteja estável.

Leia também: Jejum intermitente emagrece mais que dieta? O que diz a ciência

Entre a 6ª e 8ª hora

A partir da sexta hora, os níveis de açúcar no sangue começam a cair. Com menos glicose circulando, o pâncreas reduz a produção de insulina, hormônio responsável por transportar açúcar para dentro das células. Em resposta, o fígado passa a liberar glicose armazenada na forma de glicogênio para manter o funcionamento do organismo.

Décima hora de jejum

Por volta da décima hora, o fígado assume papel central no fornecimento de energia. Conforme as reservas de glicogênio diminuem, o organismo começa a recorrer à gordura corporal como combustível, produzindo corpos cetônicos, moléculas que passam a abastecer o cérebro e outros tecidos. Algumas pesquisas associam esse processo a um aumento da clareza mental e da capacidade de concentração.

É também nesse estágio que começa a ser ativada a autofagia, mecanismo natural de “limpeza” celular. Durante o processo, células degradam proteínas danificadas e componentes disfuncionais, reciclando estruturas internas para otimizar o funcionamento do organismo.

Entre a 12ª e 14ª hora de jejum

Nessa etapa, o corpo entra oficialmente em estado de jejum metabólico. Os níveis de insulina caem de forma significativa, favorecendo a queima de gordura. Nesse período, muitas pessoas relatam aumento da fome, um reflexo da adaptação do organismo à nova fonte de energia.

A 15ª hora

Na 15ª hora, o sistema digestivo já opera praticamente vazio. Mesmo assim, o estômago continua produzindo ácido gástrico e enzimas digestivas. Especialistas apontam que esse intervalo sem alimentação pode favorecer a regeneração do revestimento intestinal e contribuir para a redução de inflamações digestivas.

A 17ª hora

Por volta da 17ª hora, os efeitos dos corpos cetônicos no cérebro se tornam mais evidentes. Algumas pessoas relatam maior foco e disposição mental, enquanto outras experimentam irritabilidade ou dificuldade de concentração. A resposta varia de acordo com fatores individuais, como metabolismo, hidratação e qualidade do sono.

Entre a 18ª e 20ª hora

Entre a 18ª e a 20ª hora, a utilização de gordura corporal como fonte de energia se intensifica. Os triglicerídeos armazenados nas células adiposas são convertidos em ácidos graxos, utilizados por músculos e órgãos. Parte desses compostos é transformada pelo fígado em cetonas, capazes de suprir até metade da demanda energética do cérebro após quase um dia sem alimentação.

Esse aumento na queima de gordura explica o interesse crescente pelo jejum em estratégias de emagrecimento. No entanto, especialistas alertam que períodos prolongados sem alimentação também podem reduzir temporariamente os níveis de eletrólitos, afetando funções como o ritmo cardíaco em pessoas mais sensíveis. Por isso, hidratação adequada é considerada fundamental.

Veja: Seis benefícios do jejum para a saúde comprovados pela ciência

A 22ª hora

Na 22ª hora, a autofagia atinge níveis mais intensos. O mecanismo é apontado por pesquisadores como um dos fatores associados à renovação celular, fortalecimento da imunidade e possível redução do risco de determinadas doenças. Estudos em animais também sugerem relação entre o jejum e processos ligados à longevidade.

A 23ª hora de jejum

Já próximo das 23 horas, mudanças começam a ocorrer no microbioma intestinal — conjunto de trilhões de bactérias presentes no intestino. Pesquisas indicam que o jejum pode favorecer uma maior diversidade microbiana, condição associada à melhora da saúde intestinal e da resposta inflamatória do organismo.

Após 24 horas

Ao completar 24 horas sem se alimentar, os níveis do hormônio do crescimento humano (HGH) podem aumentar significativamente. O hormônio participa da reparação de tecidos, da preservação muscular e da mobilização de gordura para produção de energia.

Apesar dos possíveis benefícios, especialistas reforçam que o jejum prolongado não é indicado para todas as pessoas. Gestantes, diabéticos e indivíduos com determinadas condições de saúde devem buscar orientação médica antes de adotar a prática.

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Jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atuou na Rádio UFMG Educativa e em empresas de marketing, com experiência em produção de conteúdo, SEO e redação Atualmente, escreve, em colaboração com a Itatiaia, nas editorias de entretenimento e variedades.