Leite vegetal: qual escolher? O que você precisa saber antes de comprar
Bebidas de soja, aveia, amêndoas e coco têm diferenças importantes; especialistas explicam quais nutrientes avaliar e por que a lista de ingredientes merece atenção

Os leites vegetais ganharam espaço nas prateleiras dos supermercados e na rotina de quem busca alternativas ao leite de vaca. Mas, apesar de muitas vezes serem tratadas como equivalentes, opções feitas com soja, aveia, amêndoas ou coco podem apresentar diferenças importantes na composição nutricional.
A escolha, segundo especialistas ouvidos pelo site argentino Infobae, deve levar em conta o objetivo de cada pessoa e, principalmente, as informações presentes no rótulo.
A nutricionista Mercedes Branchi, do Colégio de Nutricionistas da Província de Buenos Aires, também faz uma observação sobre a nomenclatura. Segundo ela, o Código Alimentar Argentino reserva o termo "leite" para produtos de origem animal. Por isso, as opções vegetais são classificadas oficialmente como bebidas à base de ingredientes como amêndoas, aveia, soja ou coco.
"Essa diferença é fundamental para não confundir o consumidor sobre os nutrientes que cada uma fornece, especialmente em crianças ou populações vulneráveis", explicou a especialista.
Leite vegetal caseiro ou industrializado?
Uma das principais diferenças está na forma de produção. As bebidas vegetais feitas em casa normalmente são preparadas com o ingrediente principal, água e posterior filtragem.
O problema é que parte significativa das proteínas, fibras e gorduras presentes no ingrediente pode ficar retida no resíduo sólido que sobra após a filtragem.
"É um excelente substituto culinário, mas a maioria dos nutrientes, proteínas, fibras e gorduras saudáveis, fica retida no bagaço, o resíduo do filtro", afirmou Branchi. Segundo ela, "o líquido resultante é nutricionalmente muito pobre".
Já as versões industrializadas podem passar por processos de fortificação. De acordo com a nutricionista, fabricantes costumam adicionar nutrientes como cálcio, zinco e vitaminas para aproximar sua composição da encontrada no leite de origem animal. Algumas opções também recebem proteínas vegetais adicionais.
"Em comparação com as caseiras, a indústria costuma fortificá-las com cálcio, zinco e vitaminas para equipará-las ao leite animal", explicou.
Qual leite vegetal escolher?
Não existe uma única opção considerada melhor para todas as pessoas. A escolha depende do que se busca na alimentação.
Para quem procura mais proteínas, as versões enriquecidas ou identificadas como "High Protein" podem ser uma alternativa, já que algumas recebem isolados de proteínas vegetais.
Quem deseja reduzir a quantidade de açúcar deve priorizar versões sem açúcar ou com menor quantidade de açúcares adicionados.
Para quem está atento à saúde cardiovascular, bebidas feitas com frutos secos, como amêndoas ou nozes, podem oferecer gorduras insaturadas. Nesse caso, é importante observar se o produto não contém grandes quantidades de açúcar adicionado.
Já para pessoas que seguem uma alimentação vegana, a fortificação merece atenção especial. A recomendação destacada na reportagem é procurar produtos enriquecidos com cálcio e vitaminas D e B12.
O que observar no rótulo?
A lista de ingredientes é um dos principais pontos que devem ser analisados antes da compra.
"Devemos buscar que seja o mais curta possível. O ingrediente principal deve ser a água, seguido pelo fruto seco, cereal ou leguminosa", orientou Branchi.
Também vale comparar a tabela nutricional de diferentes produtos. A quantidade de proteínas pode variar bastante. Bebidas de soja e outras leguminosas tendem a apresentar mais proteínas, enquanto alternativas de amêndoas, arroz e coco costumam ter menos.
Outro cuidado está nas versões saborizadas e adoçadas. "O verdadeiro risco está no consumo excessivo de versões saborizadas ou adoçadas comercialmente, que impactam negativamente a saúde metabólica como qualquer outro ultraprocessado", alertou a especialista.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



