Gastaram US$ 5 milhões para salvar 30 aves; seis meses depois, só uma estava viva
Resultado do experimento fornece dados inéditos sobre os desafios de reintroduzir na natureza aves criadas em cativeiro

Um programa de conservação criado para ajudar a recuperar uma das aves mais ameaçadas da Espanha terminou com um resultado alarmante: dos 30 exemplares de tetraz-galhudo-cantábrico libertados na natureza, apenas uma fêmea permaneceu viva seis meses após a soltura.
A iniciativa foi conduzida na província de León, no norte do país, e envolveu aves criadas em cativeiro pelo Centro de Criação e Reserva Genética de Valsemana. O objetivo era reforçar as populações remanescentes da espécie na Serra Cantábrica e avaliar a capacidade de adaptação dos animais antes de futuras reintroduções em maior escala.
As aves foram libertadas na Área de Proteção Especial para Aves (SPA) do Alto Sil, considerada uma das regiões mais importantes para a preservação do tetraz-galhudo-cantábrico. Antes da soltura, os animais passaram por um período de aclimatação em recintos adaptados para facilitar a transição ao ambiente natural.
Os primeiros resultados foram considerados positivos, com a maioria das aves sobrevivendo nos dias iniciais após a libertação. No entanto, o cenário mudou rapidamente nos meses seguintes. O monitoramento por GPS e transmissores de rádio permitiu aos pesquisadores acompanhar o destino dos animais. Após 180 dias, apenas uma das 30 aves continuava viva, o que representa uma taxa de sobrevivência de apenas 3,4%.
Segundo os dados do estudo, os predadores naturais foram os principais responsáveis pelas mortes. As raposas lideraram a lista, com 12 ataques confirmados. Em seguida aparecem aves de rapina, associadas a seis mortes, e a marta-pineira, pequeno mamífero carnívoro apontado como responsável por outras quatro fatalidades.
Espécie está criticamente ameaçada
O tetraz-galhudo-cantábrico (Tetrao urogallus cantabricus) é uma subespécie encontrada exclusivamente nas montanhas do norte da Espanha. Considerada criticamente ameaçada, a ave sofreu forte declínio populacional nas últimas décadas devido à perda de habitat, fragmentação das florestas, pressão humana e aumento da predação. Estimativas apontam que a população, que já chegou a contar com milhares de indivíduos em meados do século passado, atualmente não ultrapassa 300 exemplares vivendo em estado selvagem.
Apesar da elevada mortalidade observada no experimento, os responsáveis pelo programa avaliam que o projeto forneceu informações valiosas para a conservação da espécie. Os dados coletados devem ajudar no desenvolvimento de estratégias mais eficazes para futuras solturas, além de aprimorar a preparação de aves criadas em cativeiro e ampliar o entendimento sobre os desafios enfrentados após o retorno à natureza.
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