Especialistas revelam os 3 hábitos que fortalecem o cérebro e reduzem o risco de demência
Estilo de vida é peça central para uma maior saúde cerebral; entenda como incluir práticas no cotidiano focadas no cuidado com a mente

Cuidar do cérebro é um dos principais pilares para garantir uma vida mais saudável. A boa notícia é que não é necessário fazer grandes mudanças na rotina nem abrir mão de pequenos prazeres do dia a dia para preservar a mente.
Em entrevista para a BBC, o psicólogo Alan Gow (Universidade Heriot-Watt), o neurologista Dennis Chan (University College London) e a epidemiologista Pamela Almeida-Meza (King's College London) concordaram que adicionar hábitos simples e concretos ao cotidiano são essenciais para retardar o envelhecimento cognitivo ao longo dos anos.
Com o aumento da expectativa de vida em todo o mundo, cresce também o número de pessoas convivendo com doenças relacionadas ao envelhecimento. Ainda assim, os pesquisadores ressaltam que o cérebro possui uma importante capacidade de adaptação, conhecida como reserva cognitiva, que ajuda a diminuir os efeitos do declínio mental.
Essa reserva cognitiva ajuda a explicar por que algumas pessoas chegam à velhice sem apresentar grandes sintomas, mesmo diante de alterações cerebrais típicas da idade. Embora a genética tenha influência, estudos mostram que o estilo de vida e a existência de estímulos mentais frequentes exercem um papel decisivo nesse processo.
3 hábitos que ajudam na saúde da mente
Mudanças no dia a dia são o foco central na jornada em direção a uma maior saúde cerebral. Pequenos hábitos como mudar as rotas na hora de ir ao trabalho, encontrar os amigos com maior frequência e praticar hobbies são algumas das ações que podem retardar o declínio cognitivo à longo prazo.
Em geral, os especialistas agrupam os hábitos em três grupos principais. Entenda mais a seguir:
1. Exercitar a orientação espacial fortalece a memória
Entre as estratégias apontadas pelos especialistas, uma das principais é estimular o hipocampo. Essa é a região do cérebro ligada à memória e à orientação espacial, sendo uma das primeiras afetadas pela doença de Alzheimer.
Segundo Dennis Chan, sinais como desorientação frequente podem surgir ainda nos estágios iniciais da doença. Por isso, práticas que desafiem a percepção espacial podem ajudar na preservação cognitiva.
Atividades simples, como explorar caminhos diferentes, memorizar trajetos ou evitar o uso constante do GPS, estão entre os exercícios recomendados. Uma das pesquisas citadas pela BBC mostram que idosos que participaram de um jogo eletrônico desenvolvido para estimular a orientação espacial apresentaram melhora significativa na memória. Além disso, o volume do hipocampo se manteve estável após quatro meses de prática.
Os especialistas ressaltam, porém, que nem todos os videogames produzem o mesmo efeito. Os benefícios foram observados, principalmente, em atividades criadas especificamente para estimular as funções cognitivas.
Estudos também indicam que profissionais acostumados a memorizar rotas complexas, como taxistas e motoristas de ambulância, tendem a apresentar um hipocampo mais desenvolvido e, consequentemente, uma menor incidência de Alzheimer.
2. Vida social ativa contribui para a saúde mental
Outro fator considerado essencial para proteger o cérebro é a manutenção de vínculos sociais. Pesquisas apontam que interações frequentes podem reduzir entre 30% e 50% o risco de demência.
Para a epidemiologista Pamela Almeida-Meza, conversar, trocar experiências e ideias estimula diferentes áreas do cérebro e ainda ajuda a diminuir os impactos do estresse crônico. “A capacidade de trocar ideias funciona como um fator de proteção para o cérebro”, explicou à BBC.
Um estudo com mais de 1.900 idosos revelou que pessoas com baixa participação em atividades sociais desenvolveram demência até cinco anos antes daquelas que mantinham uma rotina social mais ativa.
Além de favorecer a memória e a linguagem, a convivência social também fortalece a resiliência emocional e reduz os efeitos fisiológicos associados ao envelhecimento.
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3. Aprender continuamente ajuda a preservar o cérebro
Os especialistas também destacam a importância da aprendizagem contínua ao longo da vida. Estudos mostram que pessoas que permanecem aprendendo novas habilidades tendem a apresentar menor risco de declínio cognitivo.
Dennis Chan explica que a neuroplasticidade, isto é, a capacidade do cérebro de formar novas conexões neurais, desempenha papel central na proteção contra o Alzheimer. Segundo ele, cada novo aprendizado contribui para fortalecer as conexões cerebrais já existentes e criar novas redes neurais.
Uma pesquisa citada por Almeida-Meza acompanhou participantes durante seis décadas e concluiu que atividades educacionais, culturais e recreativas ajudam a ampliar a reserva cognitiva.
Mesmo pessoas que tiveram dificuldades de memória na infância conseguiram compensar essas limitações ao longo da vida por meio do aprendizado constante.
Com o avanço da idade, as oportunidades de aprendizado tendem a diminuir, o que torna ainda mais importante buscar estímulos no cotidiano. Ler livros e participar de clubes de leitura, praticar atividades manuais como artesanato, aprender uma nova língua ou até desenvolver novos hobbies, como jardinagem e pintura, são exemplos de atividades que ajudam a manter o cérebro ativo.
Para os especialistas, o mais importante é desafiar a mente regularmente. Mudanças simples na rotina podem contribuir para preservar a saúde mental e a vitalidade do cérebro ao longo dos anos.
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Jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atuou na Rádio UFMG Educativa e em empresas de marketing, com experiência em produção de conteúdo, SEO e redação Atualmente, escreve, em colaboração com a Itatiaia, nas editorias de entretenimento e variedades.



