Cinco nutrientes que podem ajudar a retardar o envelhecimento, segundo a Ciência

Estudos indicam que compostos presentes em alimentos comuns têm potencial para reduzir doenças crônicas e melhorar a qualidade de vida

Alimentação como aliada no envelhecimento

O desejo de viver mais e melhor tem impulsionado pesquisas em todo o mundo sobre como a alimentação pode influenciar o envelhecimento. Um relatório recente, apoiado por especialistas em medicina antienvelhecimento, identificou cinco nutrientes que concentram o maior volume de evidências científicas quando o assunto é retardar o desgaste do organismo e prevenir doenças crônicas.

A análise contou com a contribuição do médico Ángel Durántez Prados, representante da Sociedade Espanhola de Medicina Antienvelhecimento e Longevidade. Segundo ele, entre dezenas de substâncias estudadas, apenas esses compostos apresentam resultados consistentes na literatura científica atual. A maioria das descobertas ainda vem de estudos em animais, mas os primeiros testes em humanos mostram sinais promissores.

De acordo com o especialista, uma nutrição adequada não impede o envelhecimento, mas pode influenciar diretamente a velocidade com que processos biológicos e doenças associadas à idade se desenvolvem.

1) Resveratrol

O resveratrol é um dos compostos mais pesquisados quando se fala em envelhecimento saudável. Presente nas uvas e em frutas vermelhas, ele tem ação antioxidante e anti-inflamatória, além de efeitos positivos sobre o sistema cardiovascular e o metabolismo.

Pesquisas em animais continuam mostrando benefícios em marcadores ligados ao envelhecimento. Em humanos, revisões recentes indicam melhora no colesterol, no controle da glicose e na função dos vasos sanguíneos. No entanto, ainda não há comprovação de que o resveratrol aumente a longevidade humana. Os cientistas também não chegaram a um consenso sobre a dose ideal, o que mantém o tema em debate.

2) Quercetina

A quercetina é um flavonoide (grupo de metabólitos protegem as células contra os efeitos danosos dos radicais livres) encontrado em alimentos como cebola, maçã, brócolis e frutas cítricas. Estudos apontam sua ação antioxidante e anti-inflamatória, além de um papel importante como senolítico, substância capaz de ajudar o organismo a eliminar células envelhecidas que prejudicam os tecidos.

Leia também

Em experimentos com animais, a quercetina associada a medicamentos melhorou a sobrevivência e a capacidade física. Já em humanos, ensaios clínicos indicaram redução da pressão arterial, do colesterol ruim e da quantidade de células senescentes em pessoas com diabetes. Pesquisas seguem em andamento para avaliar seu impacto em doenças pulmonares e metabólicas ligadas ao envelhecimento.

3) Vitamina B3

A vitamina B3 e seus derivados, como niacina, ribosídeo de nicotinamida e mononucleotídeo de nicotinamida, estão presentes em carnes, peixes, leguminosas e cereais. Esses compostos ajudam a restaurar os níveis de NAD+, uma molécula essencial para a produção de energia, reparo do DNA e ativação de mecanismos celulares ligados à longevidade.

Estudos em animais mostraram melhorias na função muscular, cerebral e cardiovascular. Em humanos, os primeiros testes revelaram aumento do NAD+ sem efeitos colaterais relevantes, além de benefícios na pressão arterial, no metabolismo e na composição corporal. A comunidade científica aguarda resultados de pesquisas mais amplas para confirmar esses efeitos a longo prazo.

4) Vitamina D

Conhecida pelo papel fundamental na saúde dos ossos, a vitamina D também é importante para o bom funcionamento do sistema imunológico. Ela pode ser obtida por meio de peixes gordurosos, ovos, laticínios e cogumelos, mas a exposição ao sol continua sendo a principal fonte.

A deficiência de vitamina D é comum entre idosos, especialmente os institucionalizados, e está associada a maior risco de osteoporose, perda muscular e fragilidade. Níveis adequados ajudam a reduzir inflamações, estresse oxidativo e o declínio da imunidade, fatores diretamente ligados ao envelhecimento.

5) Glicina

A glicina é um aminoácido presente principalmente em carnes e peixes, especialmente nos tecidos conjuntivos. Pesquisas em modelos animais indicam que sua inclusão na dieta, isoladamente ou combinada com N-acetil-cisteína, pode aumentar a longevidade e melhorar a saúde cardiovascular, a função das mitocôndrias e a capacidade física.

Precaução

Apesar dos resultados animadores, os cientistas reforçam que esses nutrientes devem ser vistos como complemento de uma alimentação equilibrada e de hábitos saudáveis.

Ángel Prados alerta que a suplementação precisa ser individualizada e que ainda é cedo para generalizar o uso desses compostos como estratégia antienvelhecimento, enquanto novos estudos continuam em andamento.

Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.

Ouvindo...