O desejo de
A análise contou com a contribuição do médico Ángel Durántez Prados, representante da Sociedade Espanhola de Medicina Antienvelhecimento e Longevidade. Segundo ele, entre dezenas de substâncias estudadas, apenas esses compostos apresentam resultados consistentes na literatura científica atual. A maioria das descobertas ainda vem de estudos em animais, mas os primeiros testes em humanos mostram sinais promissores.
De acordo com o especialista, uma nutrição adequada não impede o envelhecimento, mas pode influenciar diretamente a velocidade com que processos biológicos e doenças associadas à idade se desenvolvem.
1) Resveratrol
O resveratrol é um dos compostos mais pesquisados quando se fala em envelhecimento saudável. Presente nas uvas e em frutas vermelhas, ele tem ação antioxidante e anti-inflamatória, além de efeitos positivos sobre o sistema cardiovascular e o metabolismo.
Pesquisas em animais continuam mostrando benefícios em marcadores ligados ao envelhecimento. Em humanos, revisões recentes indicam melhora no colesterol, no controle da glicose e na função dos vasos sanguíneos. No entanto, ainda não há comprovação de que o resveratrol aumente a longevidade humana. Os cientistas também não chegaram a um consenso sobre a dose ideal, o que mantém o tema em debate.
2) Quercetina
A quercetina é um flavonoide (grupo de metabólitos protegem as células contra os efeitos danosos dos radicais livres) encontrado em alimentos como cebola, maçã, brócolis e frutas cítricas. Estudos apontam sua ação antioxidante e anti-inflamatória, além de um papel importante como senolítico, substância capaz de ajudar o organismo a eliminar células envelhecidas que prejudicam os tecidos.
Em experimentos com animais, a quercetina associada a medicamentos melhorou a sobrevivência e a capacidade física. Já em humanos, ensaios clínicos indicaram redução da pressão arterial, do colesterol ruim e da quantidade de células senescentes em pessoas com diabetes. Pesquisas seguem em andamento para avaliar seu impacto em doenças pulmonares e metabólicas ligadas ao envelhecimento.
3) Vitamina B3
A vitamina B3 e seus derivados, como niacina, ribosídeo de nicotinamida e mononucleotídeo de nicotinamida, estão presentes em carnes, peixes, leguminosas e cereais. Esses compostos ajudam a restaurar os níveis de NAD+, uma molécula essencial para a produção de energia, reparo do DNA e ativação de mecanismos celulares ligados à longevidade.
Estudos em animais mostraram melhorias na função muscular, cerebral e cardiovascular. Em humanos, os primeiros testes revelaram aumento do NAD+ sem efeitos colaterais relevantes, além de benefícios na pressão arterial, no metabolismo e na composição corporal. A comunidade científica aguarda resultados de pesquisas mais amplas para confirmar esses efeitos a longo prazo.
4) Vitamina D
Conhecida pelo papel fundamental na saúde dos ossos, a vitamina D também é importante para o bom funcionamento do sistema imunológico. Ela pode ser obtida por meio de peixes gordurosos, ovos, laticínios e cogumelos, mas a exposição ao sol continua sendo a principal fonte.
A deficiência de vitamina D é comum entre idosos, especialmente os institucionalizados, e está associada a maior risco de osteoporose, perda muscular e fragilidade. Níveis adequados ajudam a reduzir inflamações, estresse oxidativo e o declínio da imunidade, fatores diretamente ligados ao envelhecimento.
5) Glicina
A glicina é um aminoácido presente principalmente em carnes e peixes, especialmente nos tecidos conjuntivos. Pesquisas em modelos animais indicam que sua inclusão na dieta, isoladamente ou combinada com N-acetil-cisteína, pode aumentar a longevidade e melhorar a saúde cardiovascular, a função das mitocôndrias e a capacidade física.
Precaução
Apesar dos resultados animadores, os cientistas reforçam que esses nutrientes devem ser vistos como complemento de uma alimentação equilibrada e de hábitos saudáveis.
Ángel Prados alerta que a suplementação precisa ser individualizada e que ainda é cedo para generalizar o uso desses compostos como estratégia antienvelhecimento, enquanto novos estudos continuam em andamento.