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Cientistas descobrem sinal químico que decide se abelhas ficam na colmeia

Estudo revela como um feromônio da rainha influencia o comportamento das abelhas e ajuda a explicar a evolução da vida em sociedade

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Cerca de 100 mil casos de acidentes por abelhas foram registrados • Pixabay

Uma descoberta científica pode mudar a forma como entendemos a organização das colmeias. Pesquisadores identificaram pela primeira vez um sinal químico emitido pela rainha de uma espécie de abelha capaz de influenciar a decisão das filhas entre permanecer no ninho para ajudar a colônia ou partir para construir um novo lar.

O estudo foi realizado por cientistas dos Estados Unidos, Panamá, Japão e República Tcheca com a espécie Megalopta genalis, conhecida por poder viver tanto sozinha quanto em grupo. Os resultados foram publicados na revista científica 'Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences'.

Segundo a pesquisa, a substância, conhecida como feromônio da rainha, não age como um mecanismo de controle sobre as operárias. Em vez disso, funciona como um sinal confiável sobre a fertilidade da rainha, permitindo que as filhas avaliem se vale a pena permanecer na colmeia ou buscar independência.

O que os cientistas descobriram

Os pesquisadores acompanharam centenas de abelhas em ninhos localizados na Ilha Barro Colorado, no Panamá. Durante o estudo, analisaram as substâncias presentes na superfície do corpo das fêmeas e compararam indivíduos que desempenhavam diferentes funções dentro da sociedade.

A equipe identificou que a chamada feromona da rainha é formada por um grupo de compostos químicos conhecidos como metilalcanos. As rainhas que viviam em colônias apresentavam cerca do dobro desses compostos em comparação com as abelhas que viviam sozinhas.

Quando os cientistas aplicaram metilalcanos sintéticos em rainhas vivas, observaram que as operárias passaram a demonstrar comportamento de submissão e apresentaram menor desenvolvimento dos ovários. O resultado mostrou que o sinal químico influencia tanto o comportamento imediato quanto a capacidade reprodutiva das operárias.

Fertilidade

Outro achado importante foi que os níveis de metil alcanos conseguiram prever com precisão quantos ovos a rainha colocaria no futuro. As rainhas com maior quantidade da substância também eram as que conseguiam recrutar mais filhas para trabalhar na colônia.

Os pesquisadores descobriram ainda que os metil alcanos são produzidos a partir de aminoácidos essenciais da alimentação, os mesmos nutrientes necessários para a produção de ovos. Isso significa que fabricar grandes quantidades da feromona exige um custo biológico real, reforçando a ideia de que o sinal representa honestamente a capacidade reprodutiva da rainha, e não uma forma de manipulação.

Outros fatores

Apesar da importância do feromônio, os cientistas ressaltam que ela não determina sozinha o destino das abelhas. Permanecer como operária, assumir o controle do ninho ou fundar uma nova colônia depende também de diversos fatores internos e das condições do ambiente.

Por isso, os autores afirmam que novos estudos serão necessários para compreender melhor como essas decisões são tomadas e como surgiram as primeiras sociedades de insetos ao longo da evolução.

Importância da descoberta

Em entrevista à Infobae, o pesquisador Walter Farina, do Instituto de Fisiologia, Biologia Molecular e Neurociências (Ifibyne), ligado ao Conicet e à Universidade de Buenos Aires, afirmou que a pesquisa representa um avanço importante para entender a evolução do comportamento social das abelhas.

"Me parece um trabalho muito interessante porque as abelhas sudoríparas são facultativamente eusociais, ou seja, dependendo do contexto ambiental podem comportar-se como solitárias ou sociais", afirmou.

Segundo ele, "A abundância de metil alcanos nas fêmeas fundadoras pareceria determinar seu papel reprodutivo e de coesão social, ao promover efeitos tanto de curto quanto de longo prazo no grupo ou na sociedade que vai se estabelecendo".

Farina acrescentou que "Desde essa perspectiva evolutiva, o novo estudo é extremamente interessante porque abre novas possibilidades para discutir a origem e a evolução da socialidade em insetos".

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Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.

 

 

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