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A ilha misteriosa que mata qualquer um que se aproxime: uma vila isolada com uma língua indecifrável que rejeita o mundo

Comunidade vive praticamente sem contato com o mundo exterior, e autoridades indianas mantêm uma área de proteção ao redor da ilha

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Vista aérea da Ilha Sentinela do Norte, tão perigosa quanto singular • Wikicommons

Em meio ao oceano Índico, uma pequena ilha chama atenção por abrigar uma das comunidades humanas mais isoladas do planeta. A Ilha Sentinel do Norte, que faz parte do arquipélago das Ilhas Andamão e Nicobar, na Índia, é habitada pelos Sentinelese, um povo que mantém pouco ou nenhum contato com o mundo exterior.

Com aproximadamente 60 quilômetros quadrados, a ilha é protegida pelo governo indiano. A entrada de pessoas de fora é proibida e existe uma área de proteção ao redor do território para impedir aproximações. A medida busca preservar o modo de vida da comunidade e reduzir os riscos associados ao contato com pessoas de outras regiões.

Quem são os Sentinelese?

Os Sentinelese vivem principalmente da caça, pesca e coleta. Eles utilizam arcos, flechas e outras ferramentas para obter alimentos e se deslocar pelas águas próximas à ilha. Como o contato com o exterior é extremamente limitado, muitas informações sobre a comunidade ainda são desconhecidas.

A população exata também não é conhecida. O governo indiano informou que não existe um levantamento populacional preciso e que estimativas são feitas a partir de observações realizadas à distância. Um levantamento de 2011 citado pelas autoridades estimou cerca de 50 pessoas, mas esse número não representa necessariamente a população atual.

Outro aspecto pouco conhecido é o idioma falado pelos Sentinelese. Como não existe comunicação regular com a comunidade, a língua permanece sem tradução ou descrição completa por pesquisadores.

Por que ninguém pode visitar a ilha?

A Índia transformou toda a Ilha Sentinel do Norte e uma faixa do mar ao redor em reserva tribal. A legislação proíbe a entrada de pessoas de fora na região. A área protegida se estende por até cinco quilômetros a partir da costa.

A principal preocupação é evitar que doenças levadas por visitantes atinjam uma população com pouco contato com agentes infecciosos externos. Além disso, o governo indiano afirma adotar uma política de observação à distância e de não interferência para preservar os Sentinelese.

Tentativas de chegar à ilha terminaram em mortes

Apesar da proibição, alguns estrangeiros já tentaram chegar à ilha. Em novembro de 2018, o norte-americano John Allen Chau entrou ilegalmente no território e foi morto pelos Sentinelese após tentar estabelecer contato com a comunidade.

Em março de 2025, outro norte-americano, o youtuber Mykhailo Polyakov, conseguiu se aproximar da ilha em um caiaque inflável. Segundo o relato publicado pelo Diario Uno, ele deixou uma lata de refrigerante e um coco no local antes de deixar a região. Posteriormente, foi detido pelas autoridades indianas.

Houve também episódios de contato pacífico. A antropóloga indiana Madhumala Chattopadhyay conseguiu se aproximar da costa durante expedições realizadas na década de 1990. Os Sentinelese chegaram a recolher cocos deixados na água, mas o contato permaneceu limitado e a pesquisadora não entrou na ilha.

Por que a ilha continua isolada?

A política adotada pela Índia busca preservar a comunidade sem forçar sua integração à sociedade exterior. Além da proteção territorial, autoridades mantêm patrulhamento para impedir que embarcações e visitantes se aproximem da ilha.

Por isso, a Ilha Sentinel do Norte permanece como um dos poucos lugares do mundo onde uma comunidade humana vive praticamente sem contato com a sociedade moderna. O isolamento, nesse caso, não é apenas uma característica cultural: é também uma política de proteção adotada pelas autoridades indianas.

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