Fóssil de animal de 240 milhões de anos intriga cientistas
Descoberto em fósseis guardados por décadas em um museu, o Dinodontosaurus isiyavamanda tinha corpo robusto, bico semelhante ao de uma tartaruga e duas presas, além de ajudar pesquisadores a entender melhor a evolução dos primeiros animais que viveram antes dos dinossauros

Um animal pré-histórico com corpo semelhante ao de um grande porco, bico sem dentes parecido com o de uma tartaruga e duas grandes presas viveu há cerca de 240 milhões de anos onde hoje fica a Tanzânia, na África. A espécie, batizada de Dinodontosaurus isiyavamanda, foi identificada por pesquisadores após uma nova análise de fósseis que estavam guardados no Museu de História Natural de Londres havia mais de seis décadas.
Segundo o tabloide britânico 'The Sun', a descoberta chama atenção não apenas pela aparência incomum do animal, mas também pelo que seus fósseis podem revelar sobre a história da vida na Terra e sobre o período em que os primeiros dinossauros começaram a surgir.
Animal parecia uma mistura de porco e tartaruga
O Dinodontosaurus isiyavamanda fazia parte dos dicinodontes, um grupo de animais herbívoros que viveu durante os períodos Permiano e Triássico. Eles pertenciam a uma linhagem de vertebrados que antecedeu os mamíferos, embora a espécie não fosse um mamífero nem um dinossauro.
Seu corpo era volumoso e baixo, lembrando o de um grande porco. Na parte frontal da boca, porém, havia um bico sem dentes que fazia o animal se parecer com uma tartaruga. Duas presas também se destacavam na mandíbula.
O pesquisador Hady George, autor principal do estudo, descreveu a aparência da espécie como a de "um enorme porco com bico de tartaruga e presas um pouco menores que as de uma morsa". Segundo ele, o animal estava entre os grandes herbívoros de seu ambiente.
As marcas encontradas nas presas fossilizadas levantam a possibilidade de que elas fossem usadas para desenterrar raízes, retirar cascas de árvores ou até mesmo para defesa. Os pesquisadores, porém, ainda investigam como o animal utilizava essas estruturas e qual era exatamente seu papel no ecossistema.
Fósseis ficaram décadas esquecidos em museu
A história da descoberta começou muito antes de a nova espécie ser oficialmente identificada. Em 1963, uma expedição britânica encontrou diversos fósseis na Bacia de Ruhuhu, na Tanzânia. O material foi levado para o Museu de História Natural de Londres, onde permaneceu parcialmente estudado por décadas.
Foi somente com uma nova análise dos fósseis, incluindo um esqueleto associado e um fragmento de crânio, que uma equipe internacional percebeu que o material pertencia ao gênero Dinodontosaurus. Estudos anatômicos posteriores confirmaram que se tratava de uma espécie até então desconhecida pela ciência.
A identificação também foi surpreendente porque, até então, o gênero Dinodontosaurus era conhecido apenas por fósseis encontrados na América do Sul. A presença do animal na Tanzânia fornece novas pistas sobre a distribuição desses animais quando os continentes ainda estavam unidos no supercontinente Pangeia.
Descoberta pode ajudar a entender a origem dos dinossauros
Os fósseis encontrados na Tanzânia são especialmente importantes porque vieram das mesmas formações geológicas que já produziram restos considerados possíveis candidatos aos dinossauros mais antigos conhecidos.
Ao identificar o Dinodontosaurus isiyavamanda nessas rochas e compará-lo com exemplares da América do Sul, os pesquisadores conseguem estabelecer relações mais precisas entre depósitos fossilíferos de diferentes continentes.
O estudo também indica que alguns dos fósseis de dinossauros mais antigos atribuídos às rochas da Tanzânia podem ser mais jovens do que se imaginava anteriormente. Assim, a descoberta não significa que o animal seja o primeiro dinossauro, mas ajuda a ajustar a linha do tempo da evolução dos primeiros dinossauros.
Para Mike Day, curador de tetrápodes não mamíferos do Museu de História Natural de Londres, o caso mostra a importância de voltar a estudar coleções antigas.
"Esse espécime fóssil da Tanzânia esteve sob nossos cuidados por mais de 60 anos, e é maravilhoso que sua identidade finalmente tenha vindo à luz", afirmou o pesquisador. Segundo ele, a descoberta permite observar um pouco de como era o planeta há 240 milhões de anos e mostra como coleções preservadas em museus podem mudar o entendimento sobre o passado.
Pesquisa ainda não terminou
Apesar da identificação da nova espécie, uma grande quantidade de material fóssil encontrado na Tanzânia ainda precisa ser analisada. Os pesquisadores pretendem estudar principalmente partes do esqueleto que ainda não foram examinadas em detalhes.
Novos trabalhos devem comparar esses fósseis com exemplares encontrados na América do Sul e investigar a anatomia e a biomecânica do Dinodontosaurus e de outros dicinodontes.
A expectativa é entender melhor como diferentes espécies de grandes herbívoros conseguiam viver lado a lado nos ecossistemas do Triássico e como esses animais se movimentavam, se alimentavam e interagiam com outras espécies.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



