Um estudo que busca diversificar a silvicultura brasileira está sendo desenvolvido pela Universidade Federal de Lavras (UFLA). A silvicultura é o conjunto de técnicas voltadas ao cultivo e manejo de florestas, com o objetivo de produzir papel ou madeira, por exemplo.
Atualmente, a silvicultura no Brasil é dominada por eucalipto e pinus, espécies exóticas que ocupam cerca de 95% das áreas produtivas. O estudo faz o melhoramento genético de espécies florestais nativas, tornando-as mais competitivas no mercado.
O projeto, financiado pela FAPEMIG e com gestão administrativa da FUNDECC, trabalha com a seleção de progênies de árvores como Ipê-Felpudo, Louro-Pardo, Vinhático e Sapucaia. No viveiro, milhares de mudas são avaliadas quanto à germinação, vigor e desenvolvimento, etapa essencial para identificar materiais mais adaptados e produtivos.
Além da produção de madeira nobre, algumas espécies apresentam potencial em mercados não madeireiros, como a Sapucaia, que produz amêndoas comestíveis e a Candeia, fonte natural de alfa-bisabolol, utilizado na indústria de cosméticos.
Com duração prevista de 36 meses, a pesquisa envolve pesquisadores, estudantes de pós-graduação e graduação, e pretende contribuir para um novo modelo de silvicultura.
Segundo o coordenador do projeto, professor das Ciências Florestais, Lucas Amaral de Melo, o objetivo é unir retorno econômico e conservação ambiental. “Quando selecionamos e multiplicamos espécies nativas, fortalecemos a biodiversidade e, ao mesmo tempo, criamos alternativas reais para o produtor rural”, destaca.