O Sul de Minas é um destino para todos os gostos. Por aqui, os visitantes podem conhecer
Agrônomo por formação e viticultor por vocação, José Procópio cresceu entre parreiras plantadas por antepassados italianos, que chegaram à região no final do século 19.
“A gente já tem uma tradição desde o bisavô, o triavô, quando eles chegaram da Itália, de fazer vinho para o consumo próprio. Quando eles vieram da Itália, em 1888, eles primeiro ficaram na Fazenda de Café dos Barão do Café, em São João da Boa Vista, e ficaram lá até 1910, ficaram 22 anos. Depois, em 1910, eles vieram para Andradas e plantaram o café, plantaram uva para fazer o vinho para o consumo, fizeram uma casa, e aí começou a história aqui no Brasil. Então, a uva, no início, era só para produzir o vinho para o consumo. Depois de alguns anos, esse café foi substituído por uva, para vender para as vinícolas aqui da cidade”, contou.
Segundo José, anteriormente a produção de vinhos era simples, mas tudo mudou com a técnica de dupla poda. Desenvolvida pelo pesquisador Murilo Regina, da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), a técnica foi aplicada pela primeira vez no estado na propriedade da família Stella.
“Em 2002, eu comecei um projeto que, na verdade, era para fazer um vinho de mesa mais qualificado, eu queria dar um choque de qualidade. E aí veio a história da dupla poda, e aí eu comecei já a fazer a dupla poda, colher a uva no inverno, e essa técnica que a Epamig desenvolveu. Aí a gente foi aprimorando, e a partir do ano de 2017, a gente já tinha vinho de qualidade, começando a receber os turistas em 2019. Porque o nosso projeto é um projeto ecoturístico, ou seja, é trazer as pessoas para dentro da vinícola, para contar a história, isso tudo, e para vender o vinho para um preço mais atrativo”, disse o produtor.
Experiência para os visitantes:
- Degustação harmonizada: Os turistas podem agendar passeios e experimentar pratos selecionados.
- Acompanhamento técnico: Pratos aprovados por sommelier especialista em harmonização.
- Frequência: As visitas ocorrem aos fins de semana.
“A gente degusta os vinhos todos, cada um harmonizado com uma comidinha, já pré-aprovada por um sommelier, especialista em harmonização. De fim de semana a gente recebe os turistas para fazer essa degustação harmonizada”, finalizou José Procópio.
Conforme o produtor, o enoturismo é um aliado para valorizar o produto e ajuda a custear as pequenas produções. Seguindo esse modelo, a Stella Valentino recebe cerca de 600 turistas por mês.
Projetos como este se integram à atuação do Sebrae Minas no fortalecimento de vinícolas familiares e pequenos negócios do agro. A entidade orienta produtores por meio de capacitações, incentivo à inovação e ações voltadas à ampliação de mercado.