Você sabe o que é FPS? Especialista explica como escolher protetor solar
Além do FPS, é preciso considerar o PPD ao escolher um protetor solar

Muitas pessoas interpretam erroneamente o número indicado na embalagem do protetor solar como uma porcentagem de proteção contra os raios solares ou acreditam que um FPS 60 oferece o dobro de proteção em relação a um FPS 30, por exemplo. Contudo, essa interpretação está incorreta.
Conforme explica o biomédico e mestre em Medicina Estética Thiago Martins, o FPS (Fator de Proteção Solar) indica a proteção contra os raios UVB, que são os principais causadores das queimaduras solares e também contribuem para o desenvolvimento do câncer de pele.
De acordo com o especialista, a diferença de proteção entre fatores elevados é menor do que muita gente imagina. "Um protetor com FPS 30 bloqueia cerca de 97% da radiação UVB, enquanto um FPS 50 bloqueia aproximadamente 98% e um FPS 100 chega próximo de 99%. Ou seja, nenhum filtro solar é capaz de bloquear 100% da radiação ultravioleta", explica.
Além do FPS, outro indicador relevante é o PPD (Persistent Pigment Darkening), que mede a proteção contra os raios UVA. Diferentemente dos UVB, os raios UVA penetram mais profundamente na pele e estão relacionados ao envelhecimento precoce, ao surgimento de manchas, à perda de colágeno e ao aumento do risco de câncer de pele.
"Enquanto o FPS informa a proteção contra UVB, o PPD mostra o nível de proteção contra UVA. De forma simplificada, quanto maior o PPD, maior a capacidade do protetor de proteger a pele contra os danos cumulativos causados pela exposição solar diária", afirma Martins. No Brasil, a legislação determina que a proteção UVA corresponda a pelo menos um terço do valor do FPS. Assim, um protetor com FPS 60 deve apresentar um PPD mínimo de 20.
Para o especialista, a escolha do protetor solar não deve levar em consideração apenas o FPS. "Na prática, isso significa que não basta olhar apenas o FPS. Um bom protetor solar deve oferecer proteção equilibrada contra UVB e UVA", destaca. Também é importante verificar se o produto possui indicação de amplo espectro e escolher formulações adequadas ao tipo de pele e à rotina de uso.
Martins alerta que a eficácia do protetor depende da forma de aplicação. Segundo ele, a maioria das pessoas utiliza uma quantidade insuficiente do produto, o que reduz significativamente a proteção alcançada. Além disso, a reaplicação ao longo do dia é indispensável, especialmente durante exposições prolongadas ao sol, prática de atividades físicas ou contato com água.
"Quando falamos em fotoproteção, o FPS conta apenas parte da história. Entender o papel do PPD e da proteção UVA é essencial para prevenir não apenas queimaduras solares, mas também o envelhecimento precoce, o aparecimento de manchas e os danos cumulativos que a radiação solar provoca na pele ao longo da vida", conclui.
Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.



