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Suicídio: especialista alerta para necessidade de políticas públicas eficazes para evitar casos

Para o psiquiatra Tiago Machado, o maior desafio das autoridades é consolidar políticas eficazes para evitar e atender pessoas que tentaram suicídio

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Em um ano, SUS tem quase 3 milhões de ligações em canal de prevenção ao suicídio | CNN Brasil
Um fato que merece atenção é o aumento de casos de suicídio entre os jovens, que preocupa • Créditos: CNN Brasil

A Campanha Setembro Amarelo tem como principal objetivo a prevenção ao suicídio. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), no mundo, são mais de 700 mil casos de suicídio registrados, por ano. A OMS alerta que o número pode passar 1 milhão de casos levando em consideração as subnotificações. No Brasil, 14 mil casos são registrados anualmente, uma média de 38 pessoas, por dia, que tiram a própria vida. De acordo com a pesquisa da Associação Brasileira de Medicina de Emergência, com base em dados do Sistema Único de Saúde (SUS), as internações de pessoas que atentaram contra a própria vida subiram 25% nos últimos 10 anos. O número saiu de 9.173 em 2014 para 11.500 internações no último ano.

Para o psiquiatra Tiago Machado, o maior desafio das autoridades é consolidar políticas eficazes para evitar e atender pessoas que tentaram suicídio. “São até assustadores pensar que a cada 45 segundos uma pessoa morre no mundo por suicídio. Há muita subnotificação ainda, então talvez a gente esteja diante de um cenário até pior. No Brasil, nos últimos 15 anos, percebemos um aumento do número de suicídio de 30%, o que vai um pouco na contramão do que está acontecendo no mundo. No mundo, a gente está vendo uma estagnação dos números e até uma redução, o que nos faz pensar que as nossas campanhas não estão sendo eficazes.

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Um fato que merece atenção é o aumento de casos, entre os jovens, que preocupa.

"Antigamente, classicamente falando, o suicídio era um comportamento mais do idoso. E de uns anos para cá, o que a gente está vendo são os números de jovens cometendo suicídio aumentarem muito, a ponto de os estudos mostrarem que, numa faixa etária dos 15 aos 29 anos, o suicídio hoje é a terceira ou a quarta principal causa de morte nessa faixa etária”, destaca.

Prevenção

Para evitar novos casos é preciso se atentar para alguns fatores, de acordo com o psiquiatra. “Falar sobre o assunto já é um primeiro caminho. Campanhas como essa do setembro amarelo, são importantes. Mas, a gente precisa, desde novo, lá nas escolas, fazer campanhas de conscientização também para os jovens e explicar a importância de pedir ajuda, de acionar a rede de apoio que a pessoa tenha quando ela está atravessando alguma fase de turbulência, alguma fase de sofrimento mental, que pode acontecer com qualquer um e em qualquer idade. Outro fator importante é preparar melhor os profissionais de atenção básica à saúde, proporcionar um cuidado e uma atenção melhor, identificar fatores de risco mais rapidamente e tratar. São essas as medidas que estão sendo implementadas lá fora com sucesso e, que a gente precisa fazer isso aqui no Brasil acontecer de maneira mais eficaz”, conclui o psiquiatra Tiago Machado.

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Jornalista formada pelo Uni-BH, em 2010. Começou no Departamento de Esportes. No Jornalismo passou pela produção, reportagem e hoje faz a coordenação de jornalismo da rádio Itatiaia.