Belo Horizonte
Itatiaia

Remédio contra câncer usado no SUS terá produção nacional pelo Butantan

Pembrolizumabe é usado do tratamento de melanoma metástico e pode ser ampliado para outros tipos de câncer

Por
Medicamento era comprado da MSD e agora passará a contar com produção nacional • Rovena Rosa/Agência Brasil

O Instituto Butantan, em parceria com a farmacêutica MSD, vai passar a produzir medicamentos contra o câncer para tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O pembrolizumabe é uma alternativa para a quimioterapia tradicional e funciona estimulando o sistema imunológico para identificar e combater as células cancerígenas.

O remédio já é usado no SUS para o tratamento de alguns pacientes com melanoma metastático. O medicamento era comprado da MSD e agora passará a contar com produção nacional pelo laboratório público.

A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias vai avaliar a inclusão do pembrolizumabe no tratamento de câncer de colo do útero, esôfago, mama triplo-negativo e pulmão. Segundo a MSD, com a medida, a demanda aumentaria para cerca de 13 mil pacientes por ano. Atualmente, são aproximadamente 1,7 mil pessoas atendidas anualmente, a um custo de R$ 400 milhões.

Fernanda de Negri, Secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, explica que a produção nacional do remédio pode baratear seu custo e garantir prioridade no fornecimento. "A gente produzir aqui deixa o paciente brasileiro com mais garantias de que esse medicamento não vai faltar por conta de eventos externos que causem a interrupção de cadeias logísticas”, afirma.

O diretor executivo de Relações Governamentais da MSD Brasil, Rodrigo cruz, explica que o processo de transferência de tecnologia do pembrolizumabe para o Butantan vai começar assim que as novas inclusões do medicamento no SUS forem aprovadas. A incorporação das etapas de produção será feita gradualmente ao longo de dez anos.

"No começo, a ideia é que eles aprendam como se faz a rotulagem, o envase, para depois passar para formulação e aí sim chegar à etapa final que é a produção do medicamento em si. Todas as etapas estão previstas dentro do projeto. Leva até oito anos para produzir o Ifa [ingrediente farmacêutico ativo] nacional e, a partir daí, finalizar o remédio 100% nacional”, diz.

 

Por

Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.