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Qual a diferença entre pinta e melanoma? Médica responde principais dúvidas

Dermatologista explica quando uma pinta se torna sinal de alerta e como identificar câncer de pele

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Pintas são lesões benignas na pele
Existem diferentes tipos de manchas e pintas, que podem ser ou não benignas • Freepik

As pintas, que podem estar presentes desde o nascimento ou surgir com o tempo, podem indicar a presença de doenças de pele. Elas podem ser confundidas com melanomas, tipo mais grave de câncer de pele, que tem alto risco de metástase e pode se espalhar para outros órgãos.

“As pintas são lesões benignas que a gente tem muitas vezes quando já nasce, ou que vão aparecendo ao longo da vida. Você vai ver que a criança tem algumas e, conforme envelhecemos, no adulto e adolescente, elas vão aumentando até a idade idosa, quando surgem outras pintas e manchas”, explica a médica dermatologista Cristiane Carcano em participação no programa Acir Antão desta terça-feira (24).

Ela detalha que existem diversos tipos de manchas e pintas. “Existem vários tipos de manchas. Tem uma muito comum em recém-nascidos e na infância chamada mancha café com leite, que tem cor marrom, clara ou escura, e é uma lesão benigna. Já as pintas também costumam ser marrons, mas podem ser rosadas, pretinhas ou ter uma grande variação de tons”.

A dermatologista aproveitou para responder perguntas de ouvintes. Ela explicou quando o paciente deve se preocupar com uma pinta e como diferenciar as lesões de melanomas.

Quando precisamos ficar preocupados com uma pinta?

“Existem alguns sinais. Um bem interessante é o que chamamos de ‘identidade das pintas’. As pintas de uma pessoa costumam ser muito parecidas entre elas. Quando você tem uma pinta que é muito diferente do seu padrão, ou muito grande ou com uma cor muito distinta das outras, ela merece atenção. Outra questão é a mudança na característica: uma pinta que você tem há anos e, de repente, começa a crescer, muda de textura, aumenta a cor ou fica com a borda irregular”.

Pintas que coçam ou sangram são motivos de preocupação?

“Sim. Toda pinta que coça de uma forma persistente ou sangra, principalmente se for um sangramento espontâneo, não foi induzido por trauma, você não passou uma toalha, não esfregou aquela pinta, e ela está sangrando, merece atenção”.

O sol pode fazer surgir novas pintas?

“Sim, o sol é um fator que pigmenta mais as pintas. Ele pode escurecer as pintas e também aumenta sim o aparecimento. O sol que a gente toma hoje, a gente vai ver o reflexo na pele ao longo dos anos. Devemos lembrar que isso é um fator de risco sim para câncer de pele e para aumento de pintas e manchas ao longo do tempo”.

Qual a diferença entre uma pinta comum e melanoma?

“O melanoma é um câncer de pele agressivo que pode se parecer com uma pinta
. Diferente da pinta comum, que é estável ou cresce muito devagar, o melanoma costuma crescer rápido e mudar de cor, ter bordas irregulares ou apresentar sintomas como sangramento e coceira persistente. Ele tem um grande potencial de se espalhar (metástase) pelo corpo. Às vezes, uma pinta pequenininha cresce em profundidade e gera um desfecho ruim”.

Tirar uma pinta pode oferecer risco? Como é o procedimento?

“O risco é a cicatriz. Minha recomendação é nunca queimar ou cauterizar uma pinta. Se for retirar, deve-se retirar inteira e enviar sempre para análise histológica por um patologista para confirmar se era benigna. O procedimento é simples: faz-se uma anestesia local, retira-se a pinta inteira, dá-se o ponto e envia-se o material para análise. Toda pinta (chamada tecnicamente de nevo melanocítico) que for retirada deve ser encaminhada para análise”.

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Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.