Pesquisadores identificam estratégia contra leucemia resistente à quimioterapia
Estudos apontam que fármacos podem dessensibilizar células tumorais

Cientistas brasileiros propõem uma nova abordagem que pode ampliar as opções de tratamento para pacientes com leucemia mieloide aguda (LMA), um tipo agressivo de câncer que afeta as células do sangue. O estudo, publicado em editorial de destaque na capa da edição de abril da revista Translational Cancer Research, aponta que a resistência ao quimioterápico venetoclax, atualmente o mais moderno disponível para a doença, pode ser revertida com o uso de medicamentos já conhecidos.
Após cerca de dois anos de tratamento, muitos pacientes deixam de responder ao venetoclax. Pesquisadores da USP, em conjunto com grupos independentes da Holanda e dos Estados Unidos, identificaram que essa resistência decorre de uma reprogramação metabólica das células tumorais e que ela pode ser desfeita com fármacos inibidores da enzima Nampt, essencial para a sobrevivência das células cancerígenas. Entre os medicamentos estudados está a metformina, amplamente utilizada no tratamento do diabetes tipo dois há mais de 50 anos.
Os experimentos laboratoriais mostraram que tanto a metformina quanto o inibidor de Nampt, foram capazes de tornar as células tumorais novamente sensíveis ao quimioterápico.
Segundo o professor João Agostinho Machado Neto, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP e responsável pela publicação, o próximo passo é traduzir esses resultados em aplicação clínica.
Um grupo brasileiro já iniciou um estudo com pacientes utilizando metformina. "A metformina pode ter aplicação imediata, porque ela já é aprovada e bastante conhecida", afirma o pesquisador João Agostinho, que acrescenta que os novos inibidores de Nampt têm potencial de ser ainda mais eficientes.
Lorena Vieira é estagiária do Portal Itatiaia e estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais. Com experiências diversas, já trabalhou como repórter, produtora e apresentadora de coluna semanal no programa Agenda, da Rede Minas. Além de outras experiências como social media e comunicação de projetos culturais.



