Farinha de alga marrom eleva valor nutricional de biscoitos sem glúten, segundo a Unicamp
Ingrediente apresenta alto potencial mesmo em pequenas quantidades

Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) descobriram que adicionar apenas 1% de farinha da alga marrom Sargassum filipendula a biscoitos sem glúten é suficiente para aumentar significativamente seu valor nutricional.
O estudo, publicado em março na revista Food Research International, foi conduzido por Bruna Lago Tagliapietra durante seu pós-doutorado, mostrou que a inclusão da farinha de alga elevou o teor de compostos fenólicos, a atividade antioxidante, as proteínas e as fibras alimentares dos biscoitos, sem comprometer a textura ou a estrutura do produto. Os compostos também se mostraram estáveis ao calor, o que viabiliza o uso em alimentos industrializados.
A escolha da Sargassum filipendula não é por acaso, a espécie é abundante no litoral paulista, não concorre com terra agrícola e não exige água doce para seu cultivo, tornando-a uma alternativa sustentável. O Brasil, com mais de 8.600 km de costa, tem grande potencial para a produção em escala.
A descoberta é uma ótima novidade para celíacos e pessoas com sensibilidade ao glúten, já que produtos sem glúten costumam ter baixa densidade nutricional. Ainda assim, os pesquisadores apontam que avanços como padronização da matéria-prima, testes sensoriais e aprovação regulatória da Anvisa são necessários antes da produção em larga escala.
Lorena Vieira é estagiária do Portal Itatiaia e estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais. Com experiências diversas, já trabalhou como repórter, produtora e apresentadora de coluna semanal no programa Agenda, da Rede Minas. Além de outras experiências como social media e comunicação de projetos culturais.



