Belo Horizonte
Itatiaia

Junho Violeta: ceratocone pode ser confundido com mudança de grau nos olhos

Campanha tem o objetivo de informar sobre doença que causa formato cônico na córnea

Por
Ceratocone
Magnific

A campanha Junho Violeta tem como objetivo informar a população sobre o ceratocone, doença que afeta a córnea, a parte transparente localizada na frente do olho. Conforme o oftalmologista Tiago César Pereira Ferreira, membro da Sociedade Brasileira de Oftalmologia, a condição provoca uma alteração progressiva na forma da córnea, que deixa de ser arredondada para assumir um formato cônico, resultando em distorção visual e diminuição da qualidade da visão.

De acordo com o especialista, o ceratocone costuma surgir principalmente na adolescência e no início da vida adulta. Os primeiros sinais podem ser confundidos com alterações comuns de grau. "Muitas vezes, o paciente percebe apenas que os óculos parecem não corrigir adequadamente a visão ou que o grau muda com frequência", explica.

Visão embaçada, sensibilidade à luz, dificuldade para enxergar à noite e imagens distorcidas estão entre os sintomas que merecem avaliação oftalmológica.O médico destaca que fatores genéticos e ambientais estão relacionados ao desenvolvimento da doença.

Entre os principais fatores de risco está o hábito de coçar os olhos de forma frequente e intensa, especialmente em pessoas que sofrem com alergias oculares. "Esse comportamento pode contribuir para a progressão do ceratocone e, por isso, o controle das alergias e a orientação adequada dos pacientes são medidas fundamentais de prevenção", afirma.

Segundo Ferreira, exames modernos conseguem identificar alterações na córnea ainda em fases iniciais, muitas vezes antes do surgimento de sintomas importantes. Quando o diagnóstico é feito precocemente, é possível acompanhar a evolução do quadro e indicar tratamentos capazes de estabilizar sua progressão, como o crosslinking corneano, procedimento que fortalece a estrutura da córnea.

Além disso, o uso de lentes especiais pode melhorar a qualidade visual para muitos pacientes. Em casos mais avançados, podem ser necessárias intervenções cirúrgicas adicionais. O especialista enfatiza que o ceratocone ainda é uma das principais causas de transplante de córnea em pacientes jovens, embora os avanços no diagnóstico e tratamento tenham reduzido consideravelmente essa necessidade nas últimas décadas.

"A principal mensagem do Junho Violeta é que o ceratocone não deve ser encarado como uma sentença de perda visual", destaca o oftalmologista. Segundo ele, com diagnóstico precoce, acompanhamento regular e tratamento adequado, a grande maioria dos pacientes consegue preservar a visão e manter boa qualidade de vida. Por isso, consultas oftalmológicas periódicas são recomendadas, especialmente para crianças, adolescentes e jovens adultos com histórico familiar da doença ou alergias oculares.

Por

Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.